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Mariana Reis é administradora de empresas e educadora física. É pós-graduada em Gestão Estratégica com Pessoas e em Prescrição do Exercício Físico para Saúde. Atua como consultora em acessibilidade e gestora na construção e efetivação das políticas públicas para a pessoa com deficiência em Vitória

O que fazer para tudo ficar bem

O suicídio é um grave problema de saúde pública, os fatores são muitos e complexos. Dentre os grupos mais vulneráveis, o das pessoas com deficiência requer também uma proteção. Ter escuta e não desvalorizar a dor faz parte desse acolhimento

Publicado em 29/09/2020 às 15h12
Atualizado em 29/09/2020 às 15h12
Pessoa com deficiência conversando
O que precisamos mesmo é mostrar nossa preocupação, nosso cuidado e afeição por aquele que mesmo em silêncio está nos dizendo muita coisa. Crédito: Shutterstock

Durante as semanas após ter escrito o texto sobre o tema suicídio, deparei-me com muitos relatos surpreendes de pessoas que já haviam vivenciado tal experiência. E graças a uma atitude, gesto ou alguém, essa tentativa desaparecera. Diante de tanta repercussão, fui escutar mais e ampliar a leitura. Percorrendo em minha memória e e-mails, volto a escrever sobre o assunto.

A OMS - Organização Mundial da Saúde - confirma que mais de oitocentos mil suicídios são praticados por ano no mundo, sendo que dez mil casos ocorrem no Brasil. As pessoas na faixa etária de 15 a 29 anos dos países pobres e em desenvolvimento correspondem a 75% do total de ocorrências. Diante de uma sociedade de consumo exagerado, percepções instantâneas, julgamentos precipitados e odiosos, uma onda de intolerância e desrespeito arrastam para fora do mundo a vida humana.

É preciso estar atento aos sinais

Na semana passada, o relato de uma mãe moradora da cidade de Cariacica-ES me chamou atenção. Ela tem um filho com transtorno do espectro autista e gravou um vídeo para alertar sobre uma situação envolvendo outra mãe que se matou por não aguentar a pressão da sociedade em não aceitar seu filho, também com autismo.

Ao ouvir o relato, um silêncio ensurdecedor tomou conta de mim. Na minha imaginação, vi uma criança ou jovem com autismo sem conseguir expressar sua dor. Um tênis apertado, que faz bolha no pé, ele aguenta calado, sem mandar sinais. Assim foi com essa mãe. Pensamentos negativos, sofrimento, depressão, incompreensão e nenhum sinal. Não conseguiu verbalizar ou ninguém percebeu. A desesperança e o esgotamento não deram conta do pedido de socorro para tamanha dor. A bolha no pé estourou. Mas o sapato apertado era dela e não do filho.

Já sabemos que o suicídio é um grave problema de saúde pública, os fatores são muitos e complexos. Dentre os grupos mais vulneráveis, o das pessoas com deficiência requer também uma proteção e devem ser contemplados com ações preventivas. Ter escuta e não desvalorizar a dor faz parte desse acolhimento.

Toda vida merece atenção

É urgente reconhecer que o comportamento suicida entre as pessoas com deficiência se torna mais potente na presença de sintomas depressivos, pessimismo acentuado, em idade mais jovem e pelo comprometimento da deficiência. Identificar esse sofrimento numa pessoa com deficiência não é tarefa fácil, por isso uma avaliação multidisciplinar e uma rede de apoio social são imprescindíveis para o resgate e o sucesso do tratamento.

Hoje o que todos nós mais ouvimos é: “tudo vai ficar bem”. Mas o que precisamos mesmo é mostrar nossa preocupação, nosso cuidado e afeição por aquele que em silêncio está nos dizendo muita coisa.

Setembro se vai, mas o assunto não se esgota aqui.

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