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O movimento do silêncio

Precisamos sair dessa mais fortes e melhores. Isso eu chamo de saúde, e é ela quem nos faz apegar à vida e transformar nosso corpo

Publicado em 14 de Abril de 2020 às 15:08

Públicado em 

14 abr 2020 às 15:08
Mariana Reis

Colunista

Mariana Reis

Pessoa na quarentena
Pessoa na quarentena Crédito: Mohammad Fahim/Unsplash
Além da dificuldade de lidarmos com os nossos silêncios, dúvidas, preocupações e medo, o isolamento forçado também nos barrou nas academias. E para aqueles acostumados a uma rotina de treino diário, como eu, não tem sido nada fácil se habituar a um estado indesejado de ociosidade física.
Encontrar condição de dignidade humana na solidão é para mim mais confortável que me adaptar aos elásticos, segurar garrafinha d'água como pesos, fazer agachamentos segurando cachorros, fazer supino com sacos de arroz. Não tenho encontrado esse ponto de equilíbrio on-line ainda. No meu caso, soma-se também a falta da fisioterapia. Clínica fechada. Minha rotina de ficar em pé e meus exercícios específicos de manutenção também estão confinados.

O momento pede criatividade

É claro que, como profissional, percebo uma diferença entre treinar em casa e na academia. E que isso não é justificativa para nesse momento,  para parar de se mexer. Entendo também que para muitos que não fazem nada, começar agora a prática de uma atividade física terá uma importância fundamental para manter a saúde e aumentar a imunidade.
Em muitos casos, o treino em casa não vai deixar nada a desejar para os treinos na academia. Os objetivos é que vão fazer a diferença, como a melhora da performance esportiva, hipertrofia, condicionamento físico. A academia nos oferece recursos que em casa não temos, por mais criativos que sejamos. Essa é a minha maior dificuldade. Sou apaixonada pela musculação e treino para ver resultados. Logo, ficar sem academia é compreensível neste momento, mas é difícil levar os dias sem treinar com frequência e intensidade.

Melhor que antes

Com o corpo preguiçoso e a mente sendo forçada a não agir, enxergo que a vida continua e estamos sendo obrigados a nos olhar bem mais que antes. E nesse olhar vou aprendendo que mesmo em isolamento é preciso criar uma rotina para não pirar. É preciso aprender a parar e compreender o que essa doença traz para o real sentido que damos à vida.
Precisamos sair dessa mais fortes e melhores. Isso eu chamo de saúde, e é ela quem nos faz apegar à vida e transformar nosso corpo. Enquanto não vivemos nossas vidas normalmente, fiquemos ativos e bem.

O silêncio tem muito a dizer

E não faltam possibilidades para isso. Com cuidados e respeitando suas condições, você pode garantir uma boa malhação com os professores que estão on-line, com os aplicativos e com a criatividade, que, mesmo sem motivo, precisa de exercícios também.
Pronto. Me sinto revigorada para subir e descer a rampa do meu prédio como forma de garantir minhas forças, trabalhar o coração e garantir a escuta do que essa solidão está me dizendo. Se mexa para escutar.

Mariana Reis

Mariana Reis é mestranda em Sociologia Política, Administradora , TEDex, Colunista e Personal Trainer

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