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Mariana Reis é administradora de empresas e educadora física. É pós-graduada em Gestão Estratégica com Pessoas e em Prescrição do Exercício Físico para Saúde. Atua como consultora em acessibilidade e gestora na construção e efetivação das políticas públicas para a pessoa com deficiência em Vitória

O dia da vacinação

Desde que consegui agendar a data para me vacinar, paralisei o pensamento no momento mais esperado, desde que fomos tomados por dores e perdas incalculáveis.

Publicado em 22/06/2021 às 02h00
A partir desta terça-feira (25), pessoas a partir de 18 anos com comorbidades podem se vacinar em Cachoeiro de Itapemirim. Não precisa de agendamento
Recebi minha primeira dose de esperança. Foi uma mistura de sentimentos. Crédito: Márcia Leal/PMCI

Era para ser um dia comum. Um dia de vacina como estamos acostumados. Mas não foi. Desde que consegui agendar a data para me vacinar, paralisei o pensamento no momento mais esperado, desde que fomos tomados por dores e perdas incalculáveis.

Caminhar lado a lado com a minha felicidade é um treino diário que faço. Nos últimos tempos, tenho sorrido menos e a minha felicidade vem perdendo espaço para a angústia, para o desconhecido e para os quinhentos mil brasileiros mortos pela covid-19. Eu me sinto atravessando um abismo pela corda bamba desde que começou a pandemia. Fiz renúncias, me isolei completamente em casa, aliás, ninguém ganha de mim quando o assunto é isolamento social, mas sobrevivi sem perder o equilíbrio e sempre precavida. Apesar da melancolia e do afastamento de tudo e todos, o mais importante: não fui contaminada pelo vírus. Saber que atravessei a metade desse caminho difícil da pandemia renovou meu horizonte.

Um passo a mais

Assim como o dia e horário da vacina foram programados, eu também planejei cada detalhe. Escolhi a trilha sonora, a roupa, separei dois dias antes, reservei meu horário com o táxi acessível, e não falei muito sobre o meu agendamento nem para a família e nem para os amigos porque não queria que nada impedisse de dar certo. Dizem que quando temos grandes projetos, não devemos falar com ninguém até que se realize. Foi o que fiz e agora conto para vocês.

Nada poderia impedir meu corpo de aproveitar essa oportunidade. Recebi minha primeira dose de esperança. Foi uma mistura de sentimentos. O sorriso ainda não foi o que tenho, o sorriso largo que é minha marca. Porque não me acostumo com a desigualdade, com a injustiça e com o descaso com a nossa saúde, nosso bem maior. Mas a alegria individual e silenciosa que me tomou como um abraço naquele momento diminuiu a distância da saudade do conviver e do desejo de voltar a ter capacidade de vontade. A vacina é um “plus” que Deus, os pesquisadores e a ciência, estão nos dando. E para quem não foi embora daqui pela covid-19, esse plus representa um legado que precisamos deixar para as gerações futuras.

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Mil vezes obrigada

Foi na veia que entraram as doses de coragem e esperança. Sem essa dose que preenche nosso corpo, não conseguimos ter sonhos. A esperança é o que nos mantém acesos e com capacidade de vencer qualquer situação da vida.

Como diz uma amiga e escritora, Renata Sborgia, renovamos o contrato com a vida. Mas ainda temos a segunda dose dessa emoção, desse marco em nossas vidas.

Voltei do lugar da vacinação com um sentimento de alívio tão grande que não parava de agradecer baixinho por ter conseguido chegar até aqui viva.

Com certeza o confinamento agora tem um tom mais suave e a vacina me fez acordar hoje servida de vontade, de planos, e cheia de esperança. Porque precisamos acreditar que todos serão vacinados, e que todos terão essa nova chance, e que dias menos pesados e sombrios hão de vir para nós brasileiros.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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