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Cotidiano

Crônica: Vamos falar de afeto?

Se pensar bem, construímos nossas vidas em torno dessas conexões porque elas literalmente nos afetam

Publicado em 23 de Janeiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

23 jan 2022 às 02:00
Maria Sanz

Colunista

Maria Sanz

Mulher com afeto
Percebe, os afetos são magnéticos. É a liga: razão pela qual nos unimos. Crédito: THIETVU/ Freepik
Afetos são ligações. Mas não qualquer tipo de ligação. Afeto é uma ligação carinhosa. Um tipo de conexão com possibilidade de expressão de sentimentos.
Se pensar bem, construímos nossas vidas em torno dessas conexões porque elas literalmente nos afetam. Essas ligações nos movem, no impelem a dar nome, a manifestar o que sentimos por dentro.
Percebe, os afetos são magnéticos. É a liga: razão pela qual nos unimos.
A vida comunitária, ou as formas de compartilhamento de vida são simbolizações dos nossos afetos. Criamos instintivamente situações que nos acomodem emocionalmente, que apazigue nossas angústias, e amenizem nossos medos. Expandimos nossos escudos nos cercando de pessoas (ou afetos) e de símbolos (estrategicamente encharcados de sentidos, como o dinheiro, títulos, o conhecimento, etc).
Essa construção simbólica existe principalmente para aplacar um dos afetos primários, que é exatamente o medo. Medo de sofrer, de ficar só, de ser abandonado... Então o papel do outro é também o de anteparo para nosso “eu” (que deseja se sentir protegido, seguro, resguardado, amparado).
Mas estes mesmos afetos, pessoas ou símbolos que a princípio nos protegeriam, podem ser os mesmos que nos causam dor.
É justamente pelo grau da força de conexão que o medo de perder o elo com o outro se torna traumático. E a mera sensação de que essa ligação pode se romper muitas vezes causa pânico, sensação de morte mesmo. Devastação.
A lógica da psique é na verdade simples: se esse elo me sustenta, como poderei viver sem ele?
E é justo onde mora o perigo: nos submetermos a uma situação de desamor em nome do afeto... Pense nisso.
Relações abusivas se sustentam por causa dos elos afetivos. Sem nos darmos conta, vamos nos tornando permissivos, nos anulando para não sofrer o medo da perda daquele ou daquela que à princípio simbolizava a proteção, o zelo e o carinho.
É preciso coragem para se autoconhecer e identificar de onde vem a falta (de amor, afeto, segurança) que projetamos no outro. Mas não somente identificar, identificar e agir. Assumir as rédeas do reencontro consigo.
Portanto, aprender a amar a si mesmo é encontrar a fonte do afeto do lado de dentro. Pode chamar de fé, de “algo além”, de elo com o Eu Superior, de alma, como quiser! Fato é que o amor maior mora dentro da gente. Eis a dádiva... A presença da presença, o encontro do encontro... O divino.
Burlar a mente é encontrar o caminho. Esse é meu desejo: que nos conectemos todos, o quanto antes com isso.

Maria Sanz

É artista e escritora, e como observadora do cotidiano, usa toda sua essência criativa na busca de entender a si mesma e o outro. É usuária das medicinas da palavra, da música, das cores e da dança

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