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Marco Bravo

Super El Niño: ES está preparado para enfrentar uma das maiores estiagens das últimas décadas?

Na área rural, o Incaper intensificou as orientações sobre uso racional da água, manejo do solo e práticas para aumentar a resiliência das propriedades agrícolas

Publicado em 20 de Julho de 2026 às 04:05

Públicado em 

20 jul 2026 às 04:05
Marco Bravo

Colunista

Marco Bravo

O planeta atravessa mais um período de intensas mudanças climáticas e, desta vez, um dos principais responsáveis é o fenômeno El Niño, que poderá atingir intensidade forte ou até muito forte entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027. 


Os principais centros meteorológicos nacionais e internacionais apontam elevada probabilidade de permanência do fenômeno até o início de 2027, aumentando significativamente os riscos de seca, ondas de calor e incêndios florestais em diversas regiões do Brasil. 


O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica global, modificando o regime de chuvas em vários continentes. 

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No Brasil, normalmente provoca excesso de chuva na Região Sul e redução das precipitações em grande parte do Centro-Norte do país. No Sudeste, incluindo o Espírito Santo, os efeitos variam conforme a intensidade do fenômeno, mas costumam incluir temperaturas acima da média, maior evaporação e irregularidade das chuvas. 


No Espírito Santo, as projeções oficiais indicam atenção especial para o período entre agosto de 2026 e o início de 2027. O Governo do Estado destaca que há possibilidade de períodos secos mais prolongados, principalmente nas regiões Norte e Noroeste capixabas, enquanto áreas do litoral e do Sul do Estado podem registrar episódios isolados de chuvas intensas. 


É importante destacar que não existe uma confirmação de que haverá estiagem contínua de agosto até abril de 2027; o que existe são projeções climáticas que indicam aumento da probabilidade de períodos secos e distribuição irregular das chuvas ao longo desse intervalo. 


As consequências podem atingir praticamente todos os setores da sociedade. A redução da disponibilidade hídrica compromete o abastecimento de água para consumo humano, aumenta os custos de tratamento, reduz a produção agrícola, afeta a geração hidrelétrica, favorece queimadas, reduz a umidade do ar, intensifica problemas respiratórios e aumenta o risco de perdas econômicas para produtores rurais e municípios.


Diante desse cenário, o Governo do Espírito Santo vem adotando diversas medidas preventivas. Entre elas estão o fortalecimento do monitoramento meteorológico e hidrológico, a ampliação dos sistemas de alerta da Defesa Civil, o acompanhamento permanente das bacias hidrográficas, a fiscalização do uso dos recursos hídricos, o reforço das brigadas de prevenção e combate aos incêndios florestais, além da atuação integrada da Seama, Agerh, Iema, Incaper, Idaf, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil Estadual. 

Seca no ES Arquivo

Na área rural, o Incaper intensificou as orientações sobre uso racional da água, manejo do solo e práticas para aumentar a resiliência das propriedades agrícolas. 

Os municípios também desempenham papel fundamental. Entre as principais ações recomendadas estão:


  • elaboração e atualização dos Planos Municipais de Contingência para estiagem; 

  • monitoramento dos níveis de rios, reservatórios e mananciais; 

  • combate às perdas nos sistemas públicos de abastecimento; 

  • ampliação da reservação de água; 

  • recuperação e proteção de nascentes; 

  • incentivo ao reúso de água; 

  • campanhas permanentes de consumo consciente; 

  • preparação de sistemas alternativos de abastecimento, quando necessário; 

  • prevenção de incêndios em áreas rurais e unidades de conservação. 


No setor agrícola, práticas como irrigação eficiente, construção de pequenas barragens legalizadas, proteção das matas ciliares, conservação do solo e adoção de sistemas agroflorestais tornam-se ainda mais importantes para reduzir os impactos da escassez hídrica.


Independentemente da intensidade final do fenômeno, uma lição permanece clara: a segurança hídrica depende cada vez mais do planejamento. Investimentos em saneamento, proteção de mananciais, redução das perdas de água tratada, educação ambiental e gestão integrada dos recursos hídricos são essenciais para que o Espírito Santo enfrente eventos climáticos extremos com maior capacidade de adaptação.


O Super El Niño não deve ser encarado como motivo para pânico, mas como um alerta para acelerar políticas públicas e atitudes individuais voltadas à conservação da água. Preparar-se hoje significa reduzir impactos amanhã.

Sugestões de leitura

  1. CEMADENBoletim do Painel El Niño 2026–2027 e Notas Técnicas sobre o fenômeno. 

  2. ANA – Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico. Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil e publicações sobre segurança hídrica. 

  3. IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Relatório de Síntese do Sexto Relatório de Avaliação (AR6), referência mundial sobre mudanças climáticas, adaptação e gestão dos recursos hídricos.

Marco Bravo

Biólogo, mestre em Gestão Ambiental, comentarista de Meio Ambiente e Sustentabilidade da rádio CBN Vitória

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