O Espírito Santo se prepara para enfrentar os impactos do fenômeno Super El Niño, que deve provocar uma estiagem prolongada no Estado, principalmente nas regiões Norte e Noroeste.
A força-tarefa, anunciada nesta quarta-feira (8) pelo governo estadual, inclui a criação de um Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), emissão de boletins diários e semanais, reforço no monitoramento e ações para garantir o abastecimento de água e prevenir incêndios em vegetação.
O planejamento foi apresentado pelo governador Ricardo Ferraço, durante coletiva de imprensa realizada na Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec), com a participação de diversos órgãos estaduais.
O governador Ricardo Ferraço pontuou que, embora o Estado não possa eliminar os efeitos do fenômeno, o objetivo é reduzir os impactos para a população com atitudes preventivas. Ele explicou que o mês de agosto deve concentrar as consequências mais intensas do Super El Niño. "Estaremos desdobrando mais ações para o período em que está prevista uma estiagem mais longa, que irá trazer consequências econômicas e sociais para o nosso Estado", disse.
Entre as estratégias está a criação do Centro Integrado de Comando e Controle, responsável por coordenar as ações de todos os órgãos envolvidos. O comitê terá reuniões semanais para acompanhar a evolução do cenário e toda semana será divulgado boletim informativo.
Veja as principais ações do plano
Segurança hídrica
- Perfuração de 90 poços;
- Contratação de carros-pipa;
- Implantação de novos reservatórios;
- Contratos para redução de perdas no sistema de abastecimento;
- Monitoramento das vazões dos rios e pontos de captação;
- Atualização do Plano Estadual de Recursos Hídricos.
Monitoramento
- Boletins meteorológicos diários;
- Boletins semanais sobre a evolução do fenômeno;
- Monitoramento em tempo real de focos de incêndio;
- Acompanhamento diário das condições hídricas.
Prevenção de incêndios
- Campanhas de conscientização;
- Distribuição de folders e cartilhas educativas;
- Patrulhas educativas;
- Reforço da fiscalização ambiental;
- Operações de combate aos incêndios florestais.
Por que é considerado um Super El Niño?
O fenômeno que deve atingir o Espírito Santo vem sendo tratado pelos órgãos estaduais como um Super El Niño devido à intensidade e, principalmente, à duração prevista. A estimativa é de que os efeitos se estendam para além de 2026, com uma estiagem prolongada, aumento das temperaturas, ondas de calor e maior risco de incêndios em vegetação.
Estiagem será o principal desafio
Ao contrário do que ocorre em estados do Sul do país, onde o El Niño costuma provocar excesso de chuvas, a previsão para o Espírito Santo aponta para um longo período de estiagem. Por isso, o Estado dará suporte aos agricultores, um dos setores que será mais afetado pela seca.
Entenda o que é o El Niño
O coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Benício Ferrari Júnior, explicou que o El Niño é provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, alterando a circulação das massas de ar e, consequentemente, o regime de chuvas em diversas regiões do planeta.
Segundo ele, o Espírito Santo está em uma área de transição, mas o histórico mostra que a maior parte dos eventos provoca seca, aumento das temperaturas e mais focos de incêndio.
"A maioria dos El Niños, considerando todos os anos de El Niño, olhando eles em comparação com a média, traz um cenário de estiagem maior, um aumento de temperatura, e, por conta disso, mais incêndios em vegetação. Então esse é o cenário esperado".
O coordenador destacou que isso não impede a ocorrência de chuvas fortes e isoladas. "Essa chuva pode acontecer localizada, cair concentrada num lugar só, num dia só. Podemos ter um local inundado, enquanto que o resto do Estado está pegando fogo", alertou.
População terá papel importante
O coordenador da Defesa Civil ressaltou que a colaboração da população será fundamental para reduzir os impactos do fenômeno. "Nos casos de estiagem e de incêndio, quando chegarem as recomendações de economia de água ou de horário de irrigação das lavouras, por exemplo, a população precisa contribuir. Isso vai ajudar muito."
Ele também alertou para os riscos das queimadas durante o período mais seco. "Chega num período em que é proibido atear fogo porque não tem mais como controlar. Ventos podem ficar intensos, a umidade do ar é baixa, a temperatura é alta."