Dois homens foram presos por tentativa de homicídio qualificado contra agente de segurança pública no exercício da função nesta segunda-feira (20). Um deles, identificado como Pedro Henrique Alves de Assis, de 20 anos, informou ser filho de um coronel da Polícia Militar (PM) durante a abordagem.
De acordo com a apuração da repórter Isabelle Oliveira, da TV Gazeta, a informação dada pelo suspeito foi confirmada pela PM. O outro envolvido é Davi Guilherme Sousa Almeida, de 19.
A prisão aconteceu durante buscas da PM por envolvidos em um ataque a tiros no bairro Parque das Gaivotas, na Grande Nova Almeida, na Serra, durante a madrugada de segunda. O crime vitimou Marcos Soares de Oliveira, de 28 anos. A dupla também é considerada suspeita de envolvimento no homicídio.
Além deles, outros três homens foram detidos e um adolescente apreendido também por suspeita de participação no assassinato.
Pedro e Davi foram localizados dentro de um carro em Lagoa de Jacaraípe, bairro vizinho de onde ocorreu o crime e pouco depois da morte de Marcos. Segundo a major Edineia, Pedro dirigia o veículo.
Segundo a apuração da repórter Isabelle Oliveira, da TV Gazeta, Pedro informou que o automóvel pertence ao pai dele. Como o veículo tem características semelhantes às descritas por testemunhas, a Polícia Civil vai investigar se ele foi utilizado no homicídio.
A major Edineia disse à TV Gazeta que o veículo desobedeceu à ordem de parada da PM e tentou fugir. Durante a perseguição, dois ocupantes desembarcaram atirando contra os policiais e fugiram por uma área de mata. Pedro e Davi permaneceram no carro e acabaram entrando em uma rua sem saída, onde foram presos.
A defesa do filho do coronel disse que a inocência de Pedro será demonstrada no decorrer da instrução processual (leia a nota na íntegra no fim da matéria). A defesa de Davi Guilherme não foi encontrada até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.
Ataque e confronto com a PM
A esposa de Marcos contou aos militares que os tiros aconteceram devido a um ataque entre facções criminosas. Conforme a Major, quatro dos seis suspeitos estavam dentro do automóvel.
“Por volta das 3 horas da manhã, uma viatura recebeu informações de um ataque na região de Jacaraípe. Ao avistar um veículo suspeito, a viatura fez sinal luminoso para pararem", detalhou a Major.
Apesar da abordagem, de acordo com a Major, o grupo fugiu. "O suspeito que estava no carona e o homem que estava atrás do motorista desembarcaram atirando e a equipe efetuou o revide”, explicou a Major.
Após atirarem contra os agentes, os dois fugiram por uma área de mata. Dentro do veículo, segundo a Major, permaneceram Pedro e Davi. Quando tentaram seguir com o automóvel, acabaram entrando em uma rua sem saída.
“Depois, próximo ao horário do almoço, recebemos informações de que indivíduos que teriam cometido o ataque na região de Nova Almeida estariam em uma casa. Fomos até o local e, de fato, tinham quatro indivíduos dentro”, detalhou a Major.
Na residência, a equipe encontrou cinco armas: uma calibre 12 de fabricação caseira, duas pistolas, um revólver e uma granada. O Batalhão de Missão Especial (BME) desarmou o objeto durante a tarde desta segunda.
Nota na íntegra da defesa de Pedro Henrique
A defesa de Pedro Henrique Alves de Assis informa que recebeu com serenidade a decisão da autoridade policial de encaminhar a prisão em flagrante para apreciação pelo Poder Judiciário, por meio da audiência de custódia, respeitando o regular trâmite previsto na legislação brasileira.
Desde o primeiro momento, Pedro Henrique colaborou de forma espontânea e transparente com as autoridades policiais, prestando todos os esclarecimentos que lhe foram solicitados, tanto à Polícia Militar quanto à Polícia Civil, mantendo postura de absoluto respeito às instituições e permanecendo à inteira disposição da Justiça.
A defesa reafirma sua plena convicção de que, no decorrer da instrução processual, será demonstrada a inocência de Pedro Henrique, mediante a produção das provas cabíveis e o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.
Confiamos na atuação técnica e imparcial do Poder Judiciário e acreditamos que a completa elucidação dos fatos permitirá o adequado reconhecimento da verdade, preservando-se as garantias constitucionais e o devido processo legal.
Por respeito às investigações em curso e aos envolvidos, a defesa não se manifestará sobre o mérito dos fatos neste momento, reservando-se a apresentar suas alegações exclusivamente nos autos do processo e perante as autoridades competentes.
Pedro Ramos