Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Marco Bravo

Animais silvestres nas cidades: o que fazer quando a natureza bate à porta?

O desmatamento, a expansão imobiliária, as queimadas e a fragmentação das florestas têm reduzido os espaços disponíveis para a fauna

Publicado em 26 de Outubro de 2026 às 04:30

Públicado em 

26 out 2026 às 04:30
Marco Bravo

Colunista

Marco Bravo Marco Bravo

A presença de animais silvestres nas ruas, praças, jardins e residências está se tornando cada vez mais frequente nas cidades brasileiras. Mas você sabe como agir ao encontrar um desses animais?


Gambás, saguis, capivaras, serpentes, ouriços-cacheiros, lagartos, corujas e diversas outras espécies têm aparecido em ambientes urbanos, despertando curiosidade, medo e, muitas vezes, atitudes inadequadas da população.


É importante compreender que esses animais não estão simplesmente invadindo nossas cidades. Na realidade, fomos nós que avançamos sobre seus habitats naturais.


O desmatamento, a expansão imobiliária, as queimadas e a fragmentação das florestas têm reduzido os espaços disponíveis para a fauna, obrigando muitas espécies a procurar alimento, água e abrigo nas áreas urbanizadas.

Veja Também 

Jiboias encontradas em diferentes pontos de Vila Velha

Duas jiboias são resgatadas em bairros de Vila Velha no mesmo dia

Animal foi encontrado no bairro Vila Lenira e resgatado pela Polícia Militar Ambiental;

Jiboia é resgatada pela PM dentro de casa e solta em área de mata em Colatina

Jacaré-de-papo-amarelo foi devolvido à natureza em lagoa

Jacaré resgatada de bueiro em Vitória volta à natureza após ajudar outro animal

Mas, afinal, o que devemos fazer quando encontramos um animal silvestre?


A primeira orientação é manter a calma e respeitar uma distância segura. Jamais tente capturar, tocar, perseguir ou encurralar o animal. Mesmo espécies aparentemente dóceis podem reagir agressivamente quando se sentem ameaçadas.


A segunda recomendação é nunca oferecer alimentos. Pães, biscoitos, frutas inadequadas e alimentos industrializados podem comprometer a saúde desses animais, além de modificar seus hábitos alimentares e comportamentos naturais.


Outro cuidado fundamental é afastar crianças e animais domésticos. Cães e gatos podem atacar os animais silvestres ou sofrer ferimentos durante uma tentativa de aproximação. Também é importante evitar aglomerações. Muitas pessoas cercam esses animais para fotografá-los ou produzir vídeos para as redes sociais, provocando estresse e aumentando o risco de acidentes.


Se o animal estiver saudável e apenas atravessando uma rua, um quintal ou uma área verde, a melhor atitude geralmente é permitir que ele siga seu caminho, desde que não exista perigo imediato.


Entretanto, quando encontramos animais feridos, debilitados, presos em construções ou expostos a situações de risco, a orientação é procurar ajuda especializada.


No Espírito Santo, a população pode acionar a Polícia Militar Ambiental, o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) ou os serviços municipais responsáveis pela fauna. Em situações de emergência, o Corpo de Bombeiros também pode ser acionado pelo telefone 193.

Imagem Edicase Brasil
A Jiboia é uma das cobras mais conhecidas no Brasil (Imagem: Karel Bartik | Shutterstock)

É fundamental não tentar realizar resgates por conta própria, principalmente envolvendo serpentes, animais de maior porte ou espécies potencialmente agressivas.


Outro aspecto importante é a saúde pública. Alguns animais silvestres podem transmitir zoonoses, como a raiva, e outros agravos, especialmente quando ocorre contato direto, mordedura ou arranhadura.


Caso aconteça algum acidente, procure imediatamente atendimento médico e informe qual animal esteve envolvido.


Vale lembrar que nem toda serpente é peçonhenta, nem todo gambá representa perigo e nem todo morcego está contaminado. O medo e a desinformação frequentemente provocam a morte desnecessária desses animais.


Além disso, os animais silvestres desempenham funções ecológicas essenciais. Morcegos ajudam na polinização e no controle de insetos; aves dispersam sementes; serpentes controlam populações de roedores; e gambás participam do equilíbrio das cadeias alimentares.

Veja Também 

Muitos santinhos espalhados pelo chão na EEEFM Aristóbulo Barbosa Leão, em Vitória

A eleição acaba, o lixo fica: quem vai cuidar dos resíduos da campanha?

Plástico no mar

Plástico: herói ou vilão?

Estiagem longa provoca o esvaziamento do rio Paranapanema, na divisa dos estados de São Paulo e Paraná, baixando o nível de água do reservatório da Usina Hidrelétrica de Capivara

A Terra entrou no vermelho: estamos gastando um planeta que não temos

Matar, perseguir ou capturar ilegalmente animais silvestres pode configurar crime ambiental, conforme a Lei Federal nº 9.605/1998.


Precisamos compreender que as cidades também fazem parte dos ecossistemas e que a convivência com a biodiversidade exige planejamento urbano, preservação das áreas verdes e educação ambiental.


A implantação de corredores ecológicos, a proteção das matas ciliares e a arborização urbana são medidas fundamentais para reduzir conflitos entre seres humanos e animais silvestres.


A mensagem que deixo é simples: ao encontrar um animal silvestre, não tenha medo, tenha respeito. Não tente capturá-lo, não o alimente e, quando necessário, procure os órgãos competentes.


Afinal, proteger a fauna é preservar o equilíbrio ambiental, a saúde pública e a própria qualidade de vida nas nossas cidades.


A natureza não está invadindo nosso espaço. Muitas vezes, ela está apenas tentando sobreviver no espaço que nós ocupamos.

Marco Bravo

Marco Bravo Marco Bravo

É biólogo, botânico/paisagista, mestre em Gestão Ambiental, consultor ambiental e comentarista de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Rádio CBN Vitória.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Renato Casagrande e Ricardo Ferraço na convenção do PSB
Derrota eleitoral de Ricardo é revés histórico para Casagrande
Mais uma eleição marcada por polarização ideológica
O que fizeram com nossa sensatez?
Yasmin Pretti celebra seus 18 anos
Sandro e Jacqueline Pretti celebram 18 anos da filha Yasmin com sunset party em Vila Velha

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados

Fale com a gente

Escolha o canal de sua preferência para assinar A Gazeta ou tirar dúvidas.