A presença de animais silvestres nas ruas, praças, jardins e residências está se tornando cada vez mais frequente nas cidades brasileiras. Mas você sabe como agir ao encontrar um desses animais?
Gambás, saguis, capivaras, serpentes, ouriços-cacheiros, lagartos, corujas e diversas outras espécies têm aparecido em ambientes urbanos, despertando curiosidade, medo e, muitas vezes, atitudes inadequadas da população.
É importante compreender que esses animais não estão simplesmente invadindo
nossas cidades. Na realidade, fomos nós que avançamos sobre seus habitats
naturais.
O desmatamento, a expansão imobiliária, as queimadas e a fragmentação das florestas
têm reduzido os espaços disponíveis para a fauna, obrigando muitas espécies a
procurar alimento, água e abrigo nas áreas urbanizadas.
Mas, afinal, o que devemos fazer quando encontramos um animal silvestre?
A primeira orientação é manter a calma e respeitar uma distância segura. Jamais tente capturar, tocar, perseguir ou encurralar o animal. Mesmo espécies aparentemente dóceis podem reagir agressivamente quando se sentem ameaçadas.
A segunda recomendação é nunca oferecer alimentos. Pães, biscoitos, frutas inadequadas e alimentos industrializados podem comprometer a saúde desses animais, além de modificar seus hábitos alimentares e comportamentos naturais.
Outro cuidado fundamental é afastar crianças e animais domésticos. Cães e gatos podem atacar os animais silvestres ou sofrer ferimentos durante uma tentativa de aproximação. Também é importante evitar aglomerações. Muitas pessoas cercam esses animais para fotografá-los ou produzir vídeos para as redes sociais, provocando estresse e aumentando o risco de acidentes.
Se o animal estiver saudável e apenas atravessando uma rua, um quintal ou uma área verde, a melhor atitude geralmente é permitir que ele siga seu caminho, desde que não exista perigo imediato.
Entretanto, quando encontramos animais feridos, debilitados, presos em construções ou expostos a situações de risco, a orientação é procurar ajuda especializada.
No Espírito Santo, a população pode acionar a Polícia Militar Ambiental, o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) ou os serviços municipais responsáveis pela fauna. Em situações de emergência, o Corpo de Bombeiros também pode ser acionado pelo telefone 193.
É fundamental não tentar realizar resgates por conta própria, principalmente envolvendo serpentes, animais de maior porte ou espécies potencialmente agressivas.
Outro aspecto importante é a saúde pública. Alguns animais silvestres podem transmitir zoonoses, como a raiva, e outros agravos, especialmente quando ocorre contato direto, mordedura ou arranhadura.
Caso aconteça algum acidente, procure imediatamente atendimento médico e informe qual animal esteve envolvido.
Vale lembrar que nem toda serpente é peçonhenta, nem todo gambá representa perigo e nem todo morcego está contaminado. O medo e a desinformação frequentemente provocam a morte desnecessária desses animais.
Além disso, os animais silvestres desempenham funções ecológicas essenciais. Morcegos ajudam na polinização e no controle de insetos; aves dispersam sementes; serpentes controlam populações de roedores; e gambás participam do equilíbrio das cadeias alimentares.
Matar, perseguir ou capturar ilegalmente animais silvestres pode configurar crime ambiental, conforme a Lei Federal nº 9.605/1998.
Precisamos compreender que as cidades também fazem parte dos ecossistemas e que a convivência com a biodiversidade exige planejamento urbano, preservação das áreas verdes e educação ambiental.
A implantação de corredores ecológicos, a proteção das matas ciliares e a arborização urbana são medidas fundamentais para reduzir conflitos entre seres humanos e animais silvestres.
A mensagem que deixo é simples: ao encontrar um animal silvestre, não tenha medo, tenha respeito. Não tente capturá-lo, não o alimente e, quando necessário, procure os órgãos competentes.
Afinal, proteger a fauna é preservar o equilíbrio ambiental, a saúde pública e a própria qualidade de vida nas nossas cidades.
A natureza não está invadindo nosso espaço. Muitas vezes, ela está apenas tentando sobreviver no espaço que nós ocupamos.