Em artigo publicado no mês passado, levei ao leitor fatos memoráveis da nossa Capital. Informei também que não seria fácil resumir neste espaço as muitas e importantes recordações que tenho da Vitória dos anos 1960/1970.
Assim, voltando ao tema, começo pelos restaurantes daqueles anos. Eram poucos, uma vez que o hábito de frequentar restaurantes não era tão comum naquela época – funcionavam basicamente para almoço e não havia self-service. Os mais frequentados eram o Esplanada, na Av. Princesa Isabel, Cantina Florença e Panela de Barro, na Escadaria Maria Ortiz; e o mais icônico, o Mar e Terra, que funcionava até o amanhecer, ficava na Av. Santo próximo ao clube Náutico Brasil – muito apreciado pelos notívagos.
Aqueles anos marcaram também o início da transformação na vida noturna da Capital, até então restrita aos bordéis. Os mais frequentados eram as casas 120 e 130, na Rua General Osório (em frente ao jornal A Gazeta), a Casa Branca e a Casa Rosa, na chamada “Volta de Caratoíra” (Av. Santo Antônio). Foi quando a vida noturna começou a se estender até altas madrugadas, com o surgimento das primeiras boates: a do Clube Vitória, na Av. Cleto Nunes, Cave, na Av. Capixaba, Aux Xandelles na Av. Beira Mar (hoje uma agência do banco Itaú), Porão 214, na Rua Nestor Gomes, Buteko, no Clube Saldanha da Gama, e outras menos prestigiadas.
Mas vale também lembrar que Vitória é a cidade dos aterros. Muitos bairros surgiram em áreas assim conquistadas nos manguezais, como Parque Moscoso, Ilha de Santa Maria, Bento Ferreira e vários outros (os chamados terrenos de Marinha).
Mas a grande expansão territorial urbana da Capital começou mesmo na década de 1950 (eu ainda criança), com o primeiro grande aterro hidráulico e a conquista ao mar da área da Esplanada da Capixaba, uma das mais importantes obras do Governador Jones dos Santos Neves. Esse grande aterro deu origem à Av. Beira Mar, importante ligação viária do centro da cidade aos bairros da zona norte pelo litoral, e que incrementou o desenvolvimento dessa região.
Outros se seguiram: o da Enseada do Suá, com a conquista de um novo e grande espaço urbano interligando a Ilha Boi a ilha de Vitória, o da Ilha do Príncipe, ligando essa ilha à ilha de Vitória (a primeira ponte Florentino Avidos ganhou o nome de “Ponte Seca”) e o da orla de Camburi, que possibilitou a duplicação da Av. Dante Micheline e o alargamento da faixa de areia da praia.
Essas são mais algumas recordações da nossa Vitória que não merecem cair no esquecimento.