A história nos mostra que a origem das cidades remonta há mais de 3.500 anos A.C., quando surgiram as primeiras aglomerações humanas na Mesopotâmia. Mostra-nos, inclusive, que nos primórdios da civilização o homem já se valia das vantagens da vida em sociedade para facilitar o atendimento às suas necessidades.
A aproximação, a convivência e o encontro, enraizados na própria natureza humana, foram os principais fatores que deram origem à formação das cidades e ao seu crescimento – a ponto de vermos hoje metade da população do planeta viver nas regiões metropolitanas.
Esse adensamento urbano e a utilização maciça do automóvel, porém, acabaram por provocar a diminuição da convivência entre as pessoas – na contramão da própria natureza humana –, como também grandes dificuldades para os gestores das cidades devido aos problemas decorrentes do seu crescimento: superlotação do transporte público, trânsito congestionado, poluição do ar e outros.
O agravamento desses problemas levou os administradores de cidades europeias a implantar planos de mobilidade urbana sustentável, conjugados com requalificação do espaço urbano. Medidas como calçadas maiores (em ruas não essenciais ao tráfego de carros), mais ruas de pedestres, estímulo ao deslocamento a pé e em veículos leves de uso individual trouxeram a reaproximação das pessoas e melhoria na qualidade da vida urbana.
Faço essas considerações com os olhos voltados para a nossa Capital. E o faço pelo fato de Vitória se ressentir de um grande atraso na utilização do seu sistema viário, com reflexos negativos na mobilidade e na qualidade da vida.
Há anos venho sugerindo medidas de baixo custo que trariam importantes benefícios para a mobilidade, porém, poucas aproveitadas – em boa parte devido a uma cultura na prefeitura pouco afeita a mudanças.
Nestes tempos de revolução tecnológica, com uma profusão de pequenos modais de uso individual, com a sociedade mudando rapidamente de hábitos e percebendo a necessidade desses avanços, está na hora de Vitória contar com seu plano de mobilidade – atual e sustentável.
Assim, sugiro ao próximo prefeito que aceite o desafio de instituir o Plano de Mobilidade Urbana de Vitória – através de lei municipal, a exemplo do PDU – para colocar a mobilidade em sintonia com os tempos atuais. Um plano voltado para tornar a cidade mais humana, com mais gente se encontrando, se deslocando a pé, de bicicleta e em pequenos veículos elétricos. Para melhoria da qualidade de vida na Capital.