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Em abril

Reajuste para servidor do ES: a equação matemática e política

Governador do ES anunciou que aumento nos salários do funcionalismo vai ser de 5%. Enquanto isso, sindicalistas bradavam ao microfone em frente ao Palácio Anchieta

Públicado em 

08 mar 2023 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Trio elétrico do Sindipúblicos-ES em assembleia em frente ao Palácio Anchieta
Trio elétrico do Sindipúblicos-ES em assembleia em frente ao Palácio Anchieta Crédito: Letícia Gonçalves
No início da tarde desta terça-feira (7), o governador Renato Casagrande (PSB) anunciou, em entrevista coletiva, que o percentual de reajuste salarial a ser concedido aos servidores do Poder Executivo vai ser de 5%.
Um projeto de lei vai ser enviado à Assembleia Legislativa entre os dias 20 e 30 março. O reajuste começa a ser aplicado em abril.
O percentual de 5%, que está "praticamente definido", segundo o governador, é ligeiramente inferior ao acumulado da inflação de 2022, que fechou em 5,79%, de acordo com o principal indicador, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
"Já tem um crescimento vegetativo da folha que precisa ser considerado, por isso vai ser um pouquinho abaixo do IPCA", afirmou. O crescimento vegetativo a que Casagrande se referiu são as promoções que ocorrem automaticamente em algumas carreiras.
"Nós já demos no ano passado também diversas correções diferenciadas a diversas categorias", frisou. 
O impacto do reajuste de 5% deve ser de R$ 340 milhões anuais. Essa, ao menos, foi a projeção que Casagrande citou de pronto, mas ressaltou que estava apenas puxando da memória. É preciso conferir, depois, no projeto de lei, que tem que registrar quanto isso vai custar.
Enquanto o governador respondia a perguntas da imprensa na Sala do Piano, no Palácio Anchieta, em frente à sede do Executivo estadual um grupo de servidores públicos realizava uma assembleia.
Em um trio elétrico, um representante do Sindipúblicos-ES (Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Estado do Espírito Santo) listava os pontos de pauta da reunião. Entre os principais, a "campanha salarial 2022-2023".
Ao microfone, ele também reclamou do valor da diária paga aos servidores estaduais e da falta de diálogo. "Até o momento, não conseguimos uma agenda com o governador. Estamos aqui para que nossa voz seja ouvida", bradou.
O último reajuste linear concedido pelo governo estadual aos servidores foi aplicado em fevereiro de 2022, no percentual de 6%.
O aumento vai contemplar efetivos, comissionados e DTs e ainda aposentados e pensionistas.
Casagrande também disse que o auxílio-alimentação, hoje de R$ 300 mensais, também vai ser ampliado. Mas o novo valor não foi informado.
Como já registrado pelo colunista Abdo Filho, entre as variáveis que a gestão levou em conta para calcular o reajuste estão a arrecadação estadual, que foi 4,18% acima da de janeiro de 2022, e o pagamento de compensação ao Espírito Santo pela queda de receita com a redução do ICMS.
Mas a conta envolve outros fatores, não apenas números. O problema é que ganhar dividendos políticos por meio da concessão de reajustes é complicado.
Um exemplo são os percentuais diferenciados, superiores aos dos demais servidores, pagos a profissionais da segurança pública, em especial policiais militares, nos últimos anos. Nem por isso Casagrande tornou-se um fenômeno de popularidade na categoria.
Os representantes do Sindipúblicos tampouco pareciam satisfeitos. Aliás, ao microfone sobre o trio elétrico, um deles até aventou a possibilidade de estado de greve, o que, depois, foi aprovado naquela assembleia.
Obviamente, 5% de reajuste não vai mudar a vida de ninguém. E os preços continuam salgados em qualquer lugar.
Sempre vai haver alguém para dizer que tem muito dinheiro em algum lugar nos cofres públicos, verba que deveria ser destinada aos servidores.
Se isso seria legal ou se causaria deficiência em outra área, são outros quinhentos.
Mas nem todo mundo é servidor – entre ativos e inativos, são 95 mil no governo do Espírito Santo – e os eleitores podem não achar uma boa ideia destinar pedaços significativos do orçamento à categoria. 
CRÍTICAS À COLUNA
Após a publicação deste texto, o presidente do Sindipúblicos-ES, Iran Caetano, gravou um vídeo com pontuações sobre a coluna.
Ele criticou o fato de a entidade não ter sido ouvida antes da publicação.
O objetivo do texto foi analisar, como escrito acima, que Casagrande não tem conseguido agradar politicamente aos servidores, nem aos PMs, que receberam um reajuste diferenciado.
Nem avaliei se 5% é um percentual adequado ou não e registrei que é inferior à inflação a acumulada de 2022.
Caetano ressaltou, no vídeo, que a categoria tem perdas salariais acumuladas que passam de 50% nos últimos 20 anos, sendo 20% nos quatro anos do governo Casagrande (2019-2022)
"Imagine você ter que alimentar sua família com R$ 300 por mês", exortou Caetano à colunista, referindo-se ao valor do auxílio-alimentação.
Considero o valor baixo, sim, principalmente se comparado a outras categorias do serviço público.
Os servidores da Assembleia Legislativa, por exemplo, recebem mais de R$ 1,5 mil de tíquete-alimentação. Mas há muito mais funcionários públicos no Executivo que no Legislativo.
Eu mesma nem recebo auxílio-alimentação, mas enfim.
"PUXA-SACO", "RAÇA DE A GAZETA"
O presidente do Sindipúblicos-ES foi, ao menos, polido e educado no vídeo, apesar do tom provocativo. Críticas são válidas, fazem parte da atividade jornalística e, principalmente, do cotidiano de quem faz análise política. 
Mas, nos comentários da postagem do vídeo no Instagram do Sindipúblicos (sim, gente, de novo, eu fui ler comentários) há manifestações bem menos republicanas. 
"De três, uma: ganha muito bem, é puxa saco do casapequena ou repórter ultra super mal informada, né Letícia???", escreveu uma mulher.
Ganhar bem é relativo, depende do estilo de vida de cada pessoa e do quanto custa para ela trabalhar (o tempo, o esforço físico e mental empregados). A não ser em casos em que o salário e as condições de trabalho são subumanas, como, infelizmente, ainda ocorre no Brasil. 
"Puxa-saco"? Eu critico o governo Casagrande também, depende do fato objetivo em questão. Basta ler as colunas para saber.
Outro seguidor do Sindipúblicos-ES no Instagram escreveu: "O problema que essa raça de a gazeta tem rabo preso com o governo".
 "Essa raça", num tom de ofensa à imprensa, e a teoria da conspiração de que todas as empresas da "grande mídia" vivem de verbas governamentais soa bastante familiar. 
Não costumo rebater comentários pontuais. Sou atacada, verbalmente, praticamente todos os dias, devido à minha profissão. Nem acompanho muito porque tenho outras tarefas e não é algo que contribui com a saúde mental. Vida que segue.
Detive-me aqui a tratar desses casos apenas porque, como já mencionado, ironicamente, é um modus operandi similar ao utilizado por pessoas que, em tese, diferem-se ideologicamente das que defendem o movimento sindical.
De qualquer forma, "a culpa é sempre da imprensa". E aposto que quem foi aos comentários ofender nem ao menos leu a coluna.

Atualização

08/03/2023 - 2:13
A coluna foi atualizada. Inicialmente, o texto registrava que os servidores estaduais aventavam a possibilidade de entrar em estado de greve. Em assembleia, eles bateram o martelo e agora estão estado de greve. A atualização também incluiu declarações do presidente do Sindipúblicos-ES e comentários feitos por seguidores no Instagram da entidade.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.

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