Presidente da Assembleia do ES envia à Corregedoria caso do deputado que recusou bafômetro
Quebra de decoro
Presidente da Assembleia do ES envia à Corregedoria caso do deputado que recusou bafômetro
Lucas Polese (PL), quatro meses após o episódio, pode ser alvo de apuração por quebra de decoro parlamentar. Procuradoria da Casa emitiu parecer pelo arquivamento da representação
O deputado estadual Lucas PoleseCrédito: Lucas S. Costa/Ales
Em um despacho sucinto, de apenas uma página, o presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, Marcelo Santos (Podemos), decidiu enviar à Corregedoria da Casa representação feita contra o deputado estadual Lucas Polese (PL).
Cabe ao órgão, comandado por Mazinho dos Anjos (PSDB), definir se o parlamentar do PL vai ser ou não alvo de apuração por quebra de decoro.
Era madrugada de sábado e o auto de infração registra que o deputado apresentava "odor etílico".
Por ter se negado a se submeter ao etilômetro, que poderia atestar consumo de bebida alcoólica, ele foi multado em R$ 2,9 mil.
Duas representações contra Polese foram protocoladas na Assembleia. O caso andou a passos muito lentos. Afinal, somente quatro meses depois o processo foi enviado à Corregedoria.
O ofício assinado por Marcelo Santos é datado do dia 6 de setembro.
O órgão entendeu que não foi apresentada documentação suficiente para atestar que os signatários do pedido de apuração eram legítimos integrantes da entidade.
A outra representação contra Polese foi protocolada pela ONG Transparência Capixaba.
Para o procurador-geral da Assembleia, Anderson Sant'Anna Pedra, não há provas de que Polese tenha cometido algum crime, devido à falta de comprovação de "inequívoca alteração da capacidade psicomotora em razão da influência de álcool ou outra substância psicoativa".
O procurador-geral também não vislumbrou eventual quebra de decoro parlamentar, já que, de acordo com o parecer, o deputado do PL apresentou documentos que atestaram que ele usou o carro na madrugada do dia 6 de maio para cumprir agendas relacionadas ao mandato, recepcionando o embaixador do Azerbaijão em Vitória.
MARCELO JOGA A BATATA QUENTE PARA MAZINHO
O interessante é que Marcelo Santos concordou com os argumentos da Procuradoria, mas, mesmo assim, decidiu enviar o caso ao corregedor-geral.
"Esta instância deverá realizar apuração se for o caso de continuidade, de acordo com o procedimento estabelecido na resolução aplicável, garantindo o devido processo legal, o direito ao contraditório e à ampla defesa, bem como a competência das autoridades responsáveis pela eventual aplicação de sanções, se cabíveis", diz o ofício assinado pelo presidente da Assembleia.
Dessa forma, não vai caber a Marcelo enterrar o assunto. Se esta história acabar em pizza, ele vai poder dizer que passou a bola para frente.
Agora, a batata quente está com Mazinho dos Anjos.
É relevante registrar, contudo, o que Marcelo escreveu no ofício enviado ao colega:
"Concluo, até o presente momento, que não existem nos autos provas concretas que demonstrem a prática de crime pelo deputado representado, nem mesmo indícios de prova que possam satisfazer os requisitos previstos nos parágrafos do art. 306 do Código de Trânsito Brasileiro.
Além disso, considerando a fundamentação do parecer jurídico, que foi elaborado diante da ausência de informações e elementos de prova capazes de demonstrar incompatibilidade com o decoro parlamentar, levando em consideração também a informação fornecida pela Supervisão de Transporte, e, por ora, os documentos apresentados pelo Deputado representado que indicam o uso do veículo para o exercício de sua função parlamentar, decido encaminhar os autos à Corregedoria-Geral da Casa".
Em resumo: "A Procuradoria não viu nada de errado, eu também não, agora é com vocês aí".
A coluna não conseguiu contato com Mazinho dos Anjos, o corregedor-geral, até a publicação deste texto.
O deputado estadual Lucas Polese, no dia 9 de maio, em conversa amena com colegas após a sessão plenáriaCrédito: Leitor da coluna
Nunca houve clima, na Assembleia, para uma punição severa a Lucas Polese devido ao episódio do bafômetro.
Aliás, quando as representações contra o deputado do PL foram formuladas, a Corregedoria da Casa nem sequer estava eleita, o que foi feito às pressas.
O fato de o processamento das representações ter andado quase parando é outro indício.
Poucos dias após a blitz em que Polese foi flagrado, o jovem deputado do PL estava sentado no plenário da Assembleia rodeado por colegas e tratando do caso em tom ameno, fora dos microfones.
O QUE DIZ POLESE
Mais uma vez, o deputado não atendeu a coluna.
Em nota oficial e em conversa com um podcaster, o parlamentar do PL alegou que recusou o bafômetro por, segundo ele, ser perseguido pela cúpula da Polícia Militar, o que põe em dúvida a atuação dos militares que trabalharam na blitz em questão.
Polese também ressaltou que usou o carro oficial da Assembleia para atividade relativa ao mandato e, naquela fatídica madrugada, levava presentes para o embaixador do Azerbaijão, que estava hospedado em um hotel de Vitória.
Arquivos & Anexos
O ofício de Marcelo Santos sobre o caso Lucas Polese
Leia a íntegra da manifestação do presidente da Assembleia Legislativa
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.