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4,5%

Correção: Por que o salário do governador do ES pode aumentar de novo

Deputados propõem reajuste de 4,5% sobre os contracheques do chefe do Executivo, do vice e dos secretários. Veja o que a elite do funcionalismo tem a ver com isso

Publicado em 07 de Maio de 2024 às 17:23

Públicado em 

07 mai 2024 às 17:23
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
ALES
Fachada da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, em Vitória Crédito: Carlos Alberto Silva

Correção

07/05/2024 - 6:55
Diferentemente do que a coluna informou inicialmente, o projeto que prevê o reajuste dos salários do governador, do vice e dos secretários não foi aprovado no plenário da Assembleia Legislativa. A proposta, feita por dois deputados estaduais, segue em tramitação. Se aprovada pela maioria dos parlamentares, é que pode elevar os vencimentos do primeiro escalão do Executivo estadual. A coluna foi corrigida. As informações sobre o projeto estão mantidas, assim como a análise desta colunista. Foi acrescentada aqui a íntegra da proposta.
O salário do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), aumentou três vezes de janeiro de 2023 até agora. E pode aumentar de novo. A iniciativa partiu de deputados estaduais, com o objetivo de elevar não apenas o valor do contracheque do chefe do Executivo estadual, mas o dos servidores que compõem a elite do funcionalismo público.
É que nenhum servidor, por lei, pode receber mais que o governador. O subsídio do cargo, desde fevereiro de 2024, é de R$ 33.006,39 brutos.
Se o cálculo do salário de alguém que está no topo das carreiras mais bem remuneradas ultrapassar esse limite, ocorre um desconto, o abate-teto.
O governador Renato Casagrande (PSB) enviou nesta terça-feira (7) projeto à Assembleia Legislativa para conceder 4,5% de reajuste a todos os servidores do Poder Executivo.
O percentual, ligeiramente abaixo da inflação acumulada de 2023, causou a insatisfação de sindicalistas e até de parlamentares governistas. Mas, por fim, foi aprovado.
Os servidores com os melhores salários, a exemplo de delegados, coronéis e auditores fiscais, entretanto, ficariam sem os 4,5%, devido ao abate-teto.
Foi aí que os deputados Mazinho dos Anjos (PSDB) e Janete de Sá (PSB), aliados do governador Renato Casagrande (PSB), entraram em cena.
Eles propuseram, também nesta terça, outro projeto de lei, o de número 250/2024, que reajusta os salários do governador, do vice, Ricardo Ferraço (MDB), e dos secretários estaduais, também em 4,5%.
Na justificativa do texto, eles explicitaram a necessidade de "inclusão dos agentes políticos do Poder Executivo na revisão geral anual da remuneração dos servidores públicos".
Na verdade, "trata-se de uma revisão geral e não de um reajuste" (...) "é direito subjetivo de todos os agentes públicos, sejam eles servidores ou agentes políticos".
Ou seja, Mazinho e Janete defenderam que ninguém pode ficar sem os 4,5%. Os servidores do alto escalão, contudo, veriam o reajuste, ou revisão geral, ir embora devido ao desconto automático.
Se a maioria dos deputados concordar com eles, a partir de maio de 2024, o salário de Casagrande vai passar de R$ 33 mil para R$ 34,4 mil brutos. O mesmo vai ocorrer com os integrantes da elite do funcionalismo já mencionados.
Mas, para que essa votação ocorra, o PL 250/2024 tem que ser pautado em sessão do plenário da Assembleia Legislativa. 
Após a publicação desta coluna, porém, o presidente da Casa, Marcelo Santos (Podemos), afirmou que não vai colocar a proposta na Ordem do Dia: "Essa matéria não vai prosperar".

Arquivos & Anexos

Veja a íntegra do projeto que prevê aumento salarial para governador e vice

O Projeto de Lei 250/2024 é de autoria dos deputados estaduais Mazinho dos Anjos (PSDB) e Janete de Sá (PSB)
Tamanho do arquivo: 98kb
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A MANOBRA DO VETO
O governador não pode propor a elevação do próprio salário, então essa iniciativa sempre parte de um ou mais deputados.
A Assembleia aprovou, em abril de 2023, um reajuste linear de 5% aos salários dos servidores estaduais. E também os mesmos 5% para o chefe do Executivo, o vice-governador e os secretários.
Casagrande, porém, vetou o projeto que tratava desses três cargos. Considerou que o aumento salarial não seria "oportuno".
Assim, ele se esquivou do desgaste político da medida.
A base governista votou em peso contra o posicionamento do chefe do Executivo e não houve resistência por parte dos líderes de Casagrande em plenário.
Na sessão desta terça, o vice-líder do governo lembrou do que ocorreu no ano passado: "Quem faz o aumento do governador não é o governador, é esta Casa. O governador vetou o aumento (em abril de 2023). Nós, aqui, vetamos para que os servidores que estão no topo das categorias não fossem penalizados com o abate-teto".
"Esses servidores, delegados, coronéis, auditores, aqueles que exercem cargos de gestão, eles acabam não recebendo nem um centavo do aumento de 4,5%, ficam no abate-teto", exemplificou.
A Assembleia agora vai decidir como vai ficar o contracheque, portanto, não apenas do chefe do Executivo. E o governador, caso haja a aprovação do Projeto de Lei 250/2024, vai ter que decidir se veta a iniciativa de novo ou não. 
Não é uma pauta popular. Evita briga com coronéis, delegados, auditores etc, mas atrai a antipatia de todos os demais.

Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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