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Solenidade na Câmara

Os bastidores da posse de Cris Samorini, prefeita de Vitória

Solenidade teve louvação ao ex-prefeito e alguns pontos fora da curva. Confira na coluna

Públicado em 

07 abr 2026 às 07:51
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Posse de Cris Samorini como prefeita de Vitória, na Câmara de Vereadores
Cris Samorini discursa na Câmara de Vitória na sessão solene de posse como prefeita da cidade Crédito: Carlos Alberto Silva
Cris Samorini (PP) tomou posse como prefeita de Vitória no último sábado (4), mas o marco da ascensão dela ao comando do Executivo municipal deu-se na segunda-feira (6), em sessão solene realizada na Câmara da Capital.
O tom do discurso da primeira mulher à frente da PMV foi, em parte, de prestação de contas da gestão anterior, que ela integrou, como vice-prefeita e secretária de Desenvolvimento, mas também de compromissos e recados claros.
Cris afirmou, por exemplo, que o combate ao feminicídio vai ser prioridade e que não exerce a função para "simbolizar" e sim para "decidir".
O plenário da Casa estava lotado de vereadores, secretários municipais, ex-secretários e aliados políticos da prefeita e do ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos).
Nas galerias, a tradicional claque, que aplaudiu e gritou palavras de ordem em determinados momentos. Tudo como de praxe em eventos como esse, mas algumas coisas chamaram a atenção da coluna.
"SARRAFO ALTO"
Em discurso, o presidente da Câmara, Anderson Goggi (Republicanos), até mencionou a prefeita, mas apenas lateralmente. Ele passou a maior parte do tempo tecendo elogios a Pazolini e ainda frisou que Cris tem o desafio de manter o nível da gestão municipal porque "o sarrafo é alto".
Parecia até que o evento era de despedida do ex-prefeito e não de posse da nova chefe do Executivo municipal.
RESPOSTA
Ao discursar, Cris Samorini respondeu, singelamente, à provocação/elogio de Goggi. A prefeita afirmou que a equipe da Prefeitura de Vitória tem competência para manter o ritmo da gestão.
"Tínhamos um gestor que cobrava com excelência e agora vai ter uma que cobra muito mais", afirmou a nova chefe do Executivo municipal.
AUTOELOGIO
O discurso do presidente da Câmara, entretanto, nem se compara à manifestação feita pelo próprio Pazolini, de autoelogio e prestação de contas do mandato. Em dado momento, houve até uma campanha eleitoral pouco subliminar.
O ex-prefeito afirmou, mais de uma vez, que saiu da prefeitura "de mãos limpas" e ergueu as mãos, também repetidamente, fazendo sinal de "10", que é o número de urna do Republicanos e dele mesmo.
Pazolini é pré-candidato ao governo do Espírito Santo.
Posse de Cris Samorini como prefeita de Vitória, na Câmara de Vereadores. Discurso do ex-prefeito Lorenzo Pazolini
Lorenzo Pazolini mostra que tem "mãos limpas"  Crédito: Carlos Alberto Silva
"PORTA DA FRENTE"
Coincidentemente ou não, o ex-prefeito lançou mão da seguinte frase: "Saio da Prefeitura de Vitória como entrei, pela porta da frente".
Expressão similar foi utilizada recentemente pelo governador Ricardo Ferraço (MDB) para se referir à saída do ex-governador Renato Casagrande (PSB) do Palácio Anchieta.
ALFINETADA
O discurso do ex-prefeito também conteve algumas alfinetadas, como ao mencionar que apenas Vitória tem um restaurante popular e insinuar que outras cidades não têm por falta de auxílio do governo estadual, comandado pelo adversário dele nas urnas, Ricardo Ferraço (MDB).
"Será que faltou sensibilidade a quem podia fazer e não fez?".
O restaurante popular de Vitória demorou a ficar pronto e, depois, a entrar realmente em funcionamento, gerando críticas da oposição na Câmara.
"CLAMOR POPULAR"
Ao ser mencionado ao microfone pouco antes de discursar, Pazolini foi chamado de "governador" pela plateia, composta, cabe lembrar, por apoiadores dele e de Cris Samorini. O grito pré-eleitoral ecoou em outros momentos durante e após a solenidade.
Ao conceder entrevista coletiva após a posse, a primeira como ex-prefeito, o republicano afirmou que "há um clamor popular" para que ele dispute o Palácio Anchieta:
"Existe um clamor popular, graças a Deus. Onde nós estamos chegando, a cada visita que a gente faz, a cada município, a cada local, a cada comunidade, as pessoas querem vivenciar o que Vitória viveu".
AUSÊNCIA E PRESENÇA
Dos 21 vereadores da Capital, apenas um não compareceu à posse de Cris Samorini, Dárcio Bracarense (PL).
O correligionário dele, o também vereador Armandinho Fontoura, porém, não apenas esteve lá como se posicionou próximo à prefeita em todas as ocasiões possíveis.
Cris Samorini, prefeita de Vitória, assina termo de posse na Câmara Municipal
Armandinho Fontoura, com a bandeira do Brasil sobre o ombro, ao lado de Cris durante a assinatura do termo de posse na Câmara Municipal Crédito: Will Morais/CVM
20 DISCURSOS
Todos os vereadores presentes tiveram direito a falar, por um minuto cada um, tempo nem sempre respeitado. Os pronunciamentos foram, em geral, protocolares e elogiosos a Pazolini, com menções à prefeita.
"NÃO É EMPRESA"
Karla Coser (PT), vereadora de oposição, saudou Cris Samorini como a primeira mulher a comandar a Prefeitura de Vitória, desejou boas-vindas e tudo mais. Mas lembrou que "a prefeitura não é uma empresa".
Cris é empresária e atuava apenas na iniciativa privada até as eleições de 2024.
LANCHINHO
Dentro do plenário durante a posse havia uma espécie de buffet de salgados, bolos e outros quitutes. Após o encerramento dos discursos, a plateia matou a fome ali mesmo, algo incomum em comparação a outras posses recentes na Câmara da Capital.
Coffee break durante a posse de Cris Samorini
Lanche servido no plenário logo após a posse  Crédito: Letícia Gonçalves
SILÊNCIO
Outro ponto fora da curva foi que a prefeita, logo após empossada, saiu sem conceder entrevistas.
É de praxe que quem ascende ao comando do Executivo, seja municipal ou estadual, responda a alguns questionamentos, ainda que protocolarmente, mas isso não ocorreu.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, onde exerce a funcao de editora-adjunta desde 2020.

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