Uma nova linha de financiamento do programa Move Brasil promete facilitar a troca de carro para taxistas e motoristas de aplicativo. A medida libera crédito com juros reduzidos para a compra de modelos flex, híbridos ou elétricos zero quilômetro no valor de até R$ 150 mil.
Um dos diferenciais na nova linha de crédito é a isenção total de entrada. A intenção é dar um alívio para o trabalhador autônomo que corre o risco de ser barrado na análise de bancos por não ter o valor à vista para pagar o veículo. De acordo com a medida provisória, anunciada na última terça-feira (19) pelo governo federal, o financiamento poderá ser pago em até 72 meses, com carência de seis meses para a primeira parcela.
As taxas de juros, atualmente, podem superar 30% ao ano em bancos comerciais. Com o aporte do programa e a cobertura do fundo garantidor, a partir de junho, os juros do financiamento para motoristas de app e taxista devem cair para menos de 1% ao mês.
Quem tem direito e como participar?
Para evitar fraudes e garantir que o recurso chegue a quem realmente depende do carro para trabalhar, o programa estabeleceu critérios claros de participação. No caso dos motoristas de aplicativo, a exigência é ter cadastro ativo em plataformas de transporte há pelo menos 12 meses e comprovar a realização de, no mínimo, 100 corridas ao longo desse tempo.
Já para os taxistas, o requisito é apresentar a licença municipal ativa e o registro regularizado junto à prefeitura da cidade.
Para conseguir o benefício, o trabalhador deve:
Acessar o portal gov.br/movebrasil para cadastro de informações;
O cadastro vai gerar uma certificação que permitirá a participação no programa, que o motorista recebe alguns dias depois;
A partir de 19 de junho, o motorista pode apresentar essa certificação nas concessionárias e agências bancárias parceiras. Apenas nessa data, o crédito passará a ser liberado efetivamente. Antes disso não será possível.
Modelos de veículos válidos para o programa
Para saber se o modelo do carro está incluído, basta conferir se o veículo se enquadra em três regras:
Preço de até R$ 150 mil;
Fabricados por montadoras que fazem parte do programa Move, sendo elas: Volkswagen, Fiat, Renault, GM, Honda, Hyundai, Nissan, Peugeot, Toyota, BMW, BYD e GWM;
Motorização sustentável como elétricos, híbridos ou movidos a etanol.
Os carros movidos exclusivamente a gasolina ou a diesel não entram no programa.
Entre as opções flex (etanol e gasolina) mais populares, que se enquadram no crédito, estão Chevrolet Onix e Onix Plus, Fiat Mobi e Cronos, Volkswagen Polo e Renault Logan.
Entre os modelos híbridos e elétricos, os modelos BYD Dolphin Mini e Dolphin GS vêm ganhando a simpatia de quem roda longas distâncias.
Simulação da diferença na prática
Para entender o tamanho da diferença que o programa faz no orçamento do trabalhador, basta simular a compra de um veículo intermediário cotado no valor cheio de R$ 105.000.
No mercado de crédito tradicional, um motorista autônomo enfrentaria a entrada obrigatória de 20%, exigindo o desembolso de R$ 21.000 à vista. Financiando os R$ 84.000 restantes em 60 meses (5 anos) a uma taxa média de mercado de 2,2% ao mês, o valor mensal ficaria R$ 2.534. O custo final totaliza R$ 68 mil a mais do que o valor original à vista.
Usando o mesmo exemplo pelo novo programa, o motorista pode financiar o valor cheio do carro, sem precisar pagar a entrada. O Move Brasil também obriga as montadoras a darem um desconto de 5% em qualquer modelo que se encaixe nas regras.
Com o desconto obrigatório aplicado, o preço de tabela do veículo cai de R$ 105 mil para R$ 99.750. A partir desse valor, o programa permite o parcelamento em até 72 meses (6 anos), com condições diferentes por gênero:
Cenário para homens (juros de 0,99% ao mês): As parcelas ficam no valor de R$ 1.945. Ao final dos 6 anos, o custo total é de R$ 140 mil, ou seja, R$ 35 mil a mais que o preço original do carro. O financiamento praticado é quase a metade dos juros cobrados no mercado tradicional.
Cenário para mulheres (juros de 0,91% ao mês): A prestação cai para R$ 1.893 mensais. O valor total pago após o financiamento soma R$ 136,2 mil, gerando um acréscimo de R$ 31 mil sobre o preço inicial de tabela.