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Empossado

O rumo e o ritmo de Ricardo Ferraço, novo governador do ES

Ex-vice-governador assumiu o comando do Executivo estadual após a renúncia de Renato Casagrande (PSB). Eles têm coisas em comum, mas são pessoas diferentes

Públicado em 

03 abr 2026 às 10:35
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves

Renato Casagrande e Ricardo Ferraço na transmissão de faixa no Palácio Anchieta
No Palácio Anchieta, Renato Casagrande transmite a Ricardo Ferraço a faixa de governador Crédito: Carlos Alberto Silva
Ricardo Ferraço (MDB), até então vice-governador do Espírito Santo, assumiu na quinta-feira (2) o comando do Executivo estadual. Ele vai ficar à frente do Palácio Anchieta ao menos até 31 de dezembro.
É pré-candidato à reeleição, na tentativa de estender a estadia no cargo. O emedebista sucede Renato Casagrande (PSB), que renunciou ao mandato para disputar uma cadeira no Senado.
Ricardo conta com o apoio irrestrito de Casagrande e participou ativamente da gestão anterior.
O atual governador repete em todos os discursos que vai "manter o rumo e o ritmo" do governo. E não foi diferente nos pronunciamentos que fez nas cerimônias de posse na Assembleia Legislativa e no Palácio.
Casagrande também disse que não vai sair de cena e estará ao lado de Ricardo, principalmente na campanha eleitoral.
Na quarta (1º), durante a festa de despedida de Casagrande no Estádio Kleber Andrade, o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), até se confundiu ao se referir ao "governador Ricardo Casagrande".
Os dois são aliados, obviamente, mas são pessoas diferentes, com históricos diferentes e perfis diferentes.
A ascensão de Ricardo à chefia do Executivo estadual não significa uma guinada, um "cavalo de pau" e tampouco uma ruptura.
Trata-se de um governo de continuidade, como o próprio governador definiu, na primeira coletiva de imprensa que concedeu após a posse.
Mas, como já frisei aqui, uma pessoa diferente está sentada na cadeira de governador. O ritmo e o rumo podem ser mantidos, mas o tom e o estilo devem mudar.
Casagrande é mais expansivo. Ricardo, contido.
Casagrande é filiado histórico ao PSB, seu único partido. Ricardo foi, por muitos anos, mais identificado com o PSDB e até quinta-feira presidia o MDB estadual.
O novo governador defende que a sigla não apoie a reeleição do presidente Lula (PT), ao passo que os socialistas vão reeditar a parceria com o petista, tendo Geraldo Alckmin como vice.
No estado, o ex-governador tem proximidade com o PT, ao contrário do emedebista. Os petistas até decidiram entregar os cargos de indicação política no governo estadual antes da ascensão de Ricardo ao comando do Executivo.
Há também pontos em comum entre o ex e o atual, claro.
Os dois já foram aliados do ex-governador Paulo Hartung (PSD) e agora estão do lado oposto. O partido de Hartung apoia o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), na corrida pelo Palácio Anchieta.
Casagrande e Ricardo defendem ferrenhamente a responsabilidade fiscal na administração pública, mas enfatizam que isso é um meio para governar, não um fim em si mesmo. Trata-se de uma contraposição à gestão de Hartung, marcada pelo equilíbrio das contas e por vezes criticada por ater-se principalmente a isso.
O socialista e o emedebista também pregam incessantemente o diálogo na relação com os demais Poderes e lideranças políticas e rejeitam a "brigalhada ideológica".
UM MANDATO SÓ
A era Ricardo Ferraço à frente do governo do Espírito Santo pode durar apenas até o final deste ano, caso ele não seja reeleito em outubro.
Mas se for reconduzido ao cargo, Ricardo será, a partir de janeiro de 2027, um governador de um mandato só. Afinal, a legislação brasileira permite apenas uma reeleição.
Isso dá contornos e expectativas singulares desde agora à gestão. O emedebista está, de acordo com analogia feita por ele mesmo, trocando o pneu do carro com o veículo em movimento, em alta velocidade.
Vai fazer diversas mudanças na equipe, até porque 12 integrantes do primeiro escalão vão deixar ou já deixaram os cargos para disputar o pleito de 2026.
Como pré-candidato, tem visibilidade, mas também a responsabilidade de manter as ações do governo e convencer os eleitores de que é melhor manter o atual grupo político no poder por mais quatro anos.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.

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