Renato Casagrande, Ricardo Ferraço e a equipe de secretários da atual gestão estadualCrédito: Carlos Alberto Silva
Formalmente, o evento marcado para o final da tarde de quarta-feira (1º) no Estádio Kleber Andrade, em Cariacica, foi uma prestação de contas dos mandatos do governador Renato Casagrande (PSB) de 2023 a 2026.
Na prática, foi uma festa de despedida organizada pelo Palácio Anchieta. Teve choro, literalmente, samba e a música Tropa de Elite, do Tihuana.
Também teve alfinetada em adversário que acabou resvalando em aliado. Veja o que rolou:
ALFINETADA EM PAZOLINI
O secretariado de Casagrande foi convidado a subir ao palco ao som de Tropa de Elite. O titular da pasta de Planejamento foi o porta-voz do grupo.
Ao discursar, Duboc fez um balanço dos feitos da gestão, com destaque para a atuação durante a pandemia de Covid-19.
Duboc lembrou, em tom crítico, o episódio em que deputados estaduais do Espírito Santo foram acusados de invadir um hospital, logo após o então presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), incitar que apoiadores entrassem em unidades de saúde para provar que não havia internações por Covid-19.
O hoje prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), foi um dos parlamentares que bateu à porta do Hospital Dório Silva, na Serra, para uma "visita surpresa" em 2020.
Ele sempre negou ter atendido ao chamado de Bolsonaro para tal.
Pazolini agora é pré-candidato a governador e adversário do grupo de Casagrande. A alfinetada de Duboc, claramente, foi para ele.
UÉ?!
O curioso é que, junto com o republicano na "visita" ao Dório Silva estava o também deputado estadual Vandinho Leite (MDB) que, na época, integrava a oposição.
Agora, entretanto, Vandinho é líder do governo na Assembleia e estava sentado na primeira fila no evento no Kleber Andrade.
CASAGRANDE CONSERVADOR
Quando foi a vez de o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB) discursar, a alfinetada foi nos "falsos conservadores": "Não adianta colocar a bandeira do Brasil nas costas e não viver o que prega".
Euclério se descreve como conservador e é aliado de primeira hora de Casagrande, a quem considera, "o maior conservador", de acordo com pesquisa qualitativa realizada em Cariacica, segundo Euclério.
"É porque Casagrande está sempre com a família", pontuou o prefeito.
DESCONTINUIDADE
Ao discursar, Casagrande revisitou a própria trajetória na política e alguns acontecimentos dos dois últimos mandatos.
Ele não citou o ex-governador Paulo Hartung (PSD), mas, em determinado momento, mencionou o ano de 2014, quando foi derrotado nas urnas por Hartung.
Casagrande afirmou que, até 2018, houve "descontinuidade" e "paralisação" das ações do governo.
Público do evento realizado no Estádio Kleber Andrade foi estimado em 2 mil pessoasCrédito: Carlos Alberto Silva
LÁGRIMAS
Apesar desses pontos que chamaram a atenção da coluna, o evento foi permeado mais por elogios, ao próprio Casagrande e à gestão estadual, que por críticas a quem quer que seja.
Duboc, sempre comedido, aliás, chegou a se emocionar ao discursar. Assim como o secretário estadual de Saúde, Tyago Hoffmann (PSB), ao ouvir o colega.
RISOS
O encontro também contou com humor e piadas, como quando Casagrande afirmou que o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) "está no pique" para dar continuidade à administração, mas não "no pique do Ricardão".
RICARDO CASAGRANDE
O governador exaltou várias vezes Ricardo, que é o pré-candidato apoiado por ele na corrida pelo Palácio Anchieta em 2026.
O emedebista cobriu o socialista de elogios:
“Quando a gente começa um governo, a gente entra pela porta da frente. Isso não é difícil. O mais difícil, o verdadeiro desafio, é quando você sai do governo pela mesma porta que você entrou, ou seja, pela porta da frente, com autoridade moral, pela obra que você lidera, pelo tanto de inspiração que você representa para todos nós, mas principalmente para mim”.
Euclério até se confundiu e, ao tentar citar Renato Casagrande, mandou um "Ricardo Casagrande".
AUSÊNCIA
A plateia do evento estava repleta de secretários, deputados estaduais, prefeitos, vereadores e, certamente, servidores comissionados.
Uma ausência, entretanto, foi notada pela coluna: a do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB). Ele se reaproximou de Casagrande após mudar de time e se aliar a Pazolini, mas não chegou a comparecer à festa.
Em entrevista coletiva antes do evento, o governador afirmou que a relação com Arnaldinho é "conversa institucional" para tratar de investimentos e obras que o governo estadual possui em Vila Velha, incluindo inaugurações e visitas técnicas.
1º DE ABRIL
Como alguns dos convidados lembraram, a despedida de Casagrande, em pleno dia 1º de abril, foi do governo do Espírito Santo, não da vida pública.
Ele é pré-candidato ao Senado e afirmou, ao discursar, que vai participar ativamente da campanha de Ricardo ao Palácio:
“A partir de amanhã (dia 2), vou circular muito pelo estado, vou percorrer os 78 municípios e defender o projeto liderado por Ricardo",
Bandeirinha distribuída em evento de despedida do governador Renato CasagrandeCrédito: Letícia Gonçalves
SAMBA
A chegada de Casagrande à tenda montada sobre o gramado do Kleber Andrade foi embalada ao som de samba, executado por integrantes da Boa Vista, escola de Cariacica.
Ao final do evento, teve mais.
O clima de festa foi composto também por bandeirinhas personalizadas com os dizeres "Obrigado, Casão".
Havia food trucks vendendo comida, refrigerante e cerveja.
Evento de despedida do Renato Casagrande
Letícia Gonçalves
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.