A consolidação de marketplaces (lojas virtuais) como Mercado Livre, Shopee e Amazon Brasil transformou o tabuleiro de distribuição de peças automotivas. No Mercado Livre, o segmento de autopeças lidera em volume de itens vendidos e responde por cerca de 12% a 13% do faturamento total da operação, superado financeiramente apenas por eletrônicos de maior valor.
Para evitar a perda de margem, o varejo e a distribuição passaram a desenvolver portfólios privados, com preços mais competitivos. Diante dessa reconfiguração, a empresa capixaba Marca Livre decidiu dar seus primeiros passos no setor automotivo ao criar uma divisão voltada para marcas próprias para redes varejistas e postos de combustível, de peças, insumos e acessórios automotivos.
A movimentação da Marca Livre ocorre em um momento em que o mercado nacional de autopeças demonstra robustez e rápida transição de canais. No último ano, o segmento movimentou aproximadamente R$ 272 bilhões no Brasil. Esse montante é impulsionado por um consumidor cada vez mais digitalizado, que busca canais de venda direta para reduzir os custos finais de manutenção veicular.
Uma marca própria é uma estratégia que consiste em uma empresa vender produtos fabricados por terceiros, mas com o seu próprio nome ou logotipo na embalagem. Segundo um dos sócios da Marca Livre, Daniel Neri, a vantagem de redes varejistas terem sua marca própria é a liberdade maior com os produtos a serem trabalhados e também a margem de lucro.
“Esse tipo de produto costuma ser mais vantajoso tanto para o lojista quanto para o consumidor, pois tem um custo menor, fidelizando o comprador”, explica.
Atualmente, a empresa trabalha com mais de 70 tipos diferentes de produtos apenas no segmento automotivo. Esses produtos vão de peças mecânicas que não envolvem a garantia da montadora, como motor de partida, alternadores; acessórios (apoio de bancos, rádio MP3, aspirador, macaco jacaré); e insumos (fluidos de radiador e de freio, água desmineralizada).
“Esses produtos chegam a ser 30% mais baratos que os de marcas conhecidas do mercado e dá oportunidade de precificação diferente para o lojista. Nossos clientes já faturaram cerca de R$ 30 milhões nesse segmento. Queremos crescer a nossa atuação com foco em varejistas e distribuidores de autopeças nacionais”, adianta.
GWM em Aracruz
Fábrica pode esbarrar em falta de líderes locais segundo consultoria
A nova fábrica da chinesa GWM no Espírito Santo, localizada em Aracruz, deve gerar 10 mil empregos diretos e indiretos, transformando a economia capixaba em um polo estratégico. No entanto, uma análise da consultoria Fesa Group aponta que o sucesso do complexo automotivo enfrenta um gargalo imediato: a escassez de profissionais locais para posições de média e alta gestão.
“A chegada de um hub deste porte ao Espírito Santo é um divisor de águas, mas o sucesso do investimento não dependerá apenas das etapas operacionais das máquinas. O maior desafio será a corrida contra o tempo para estruturar a média e a alta gestão. Não estamos falando apenas de contratar engenheiros, por exemplo, mas de atrair líderes que dominem a Indústria 4.0 e saibam converter a vantagem logística do estado em rentabilidade", pontua Karim Warrak, vice-presidente e sócio da Fesa Group.