Fórum do município de FundãoCrédito: Assessoria do TJES
O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), determinou, no último dia 1º, a abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra a juíza Priscila de Castro Murad, titular da Vara Única de Fundão. A magistrada vai ser investigada após a Corregedoria Geral da Justiça apontar, em resumo, que ela trabalha pouco.
A sessão em que os desembargadores decidiram instaurar o PAD ocorreu sob sigilo, a portas fechadas, mas a coluna apurou qual foi a deliberação. Priscila de Castro Murad não foi afastada das funções enquanto durarem as investigações.
Dois desembargadores chegaram a votar a favor do afastamento, mas a maioria entendeu que isso não seria necessário. Se afastada, ela seguiria recebendo salário, já que a abertura do PAD, por si só, não é um julgamento e tampouco uma sanção.
A magistrada, contudo, há meses não dá expediente, está de licença por motivo de saúde, o que foi concedido pelo TJES.
Na ocasião, o TJES apontou que ela chegava atrasada ao trabalho e tinha baixa produtividade.
Em 2021, o Conselho Nacional de Justiça instaurou uma revisão disciplinar, para avaliar a aplicação de uma pena mais grave que a censura à juíza. O processo é sigiloso. A coluna demandou o CNJ para saber qual foi o desfecho, mas não houve resposta até a publicação deste texto.
O OUTRO LADO
Em 2020, quem defendeu Priscila de Castro Murad foi a Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (Anamages). O advogado daquele caso, no entanto, afirmou à coluna que não atua no novo PAD.
Já a Associação dos Magistrados do Espírito Santo (Amages) informou que não conseguiu contato com a juíza. A coluna está à disposição para ouvi-la.
Após a publicação deste texto, a coluna recebeu a informação de que o advogado de Priscila Murad no caso é Eduardo Sarlo. Ele, contudo, está em viagem a trabalho no exterior.
"Por diversas vezes, a produtividade da Juíza Priscila de Castro Murad ultrapassou a meta estipulada pelo CNJ. Por essa razão, em 2013, a Magistrada foi merecedora, inclusive, de elogio do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo em decorrência de seu excelente desempenho na Vara Única de Fundão", diz o texto.
"Para se ter uma ideia, naquele ano, ela alcançou produtividade de 101% e, no ano seguinte, o percentual foi ainda maior (118%). Entre 2015 e 2016, a Magistrada cumpriu licença médica, retomando o exercício de suas atividades profissionais em janeiro de 2017, ano em que registrou produtividade de 79%, apesar das inúmeras dificuldades decorrentes das péssimas condições de trabalho na Vara Única da Comarca de Fundão (ES), em prejuízo do próprio exercício da atividade judicante", registra, ainda, a nota.
O QUE ACONTECE AGORA
Se tiver condições de saúde, Priscila de Castro Murad pode voltar a despachar no Fórum de Fundão. Uma licença médica pode durar até dois anos, se renovada frequentemente.
Enquanto isso, afastada ou não, a juíza vai ser investigada no âmbito do PAD. O relator do caso é o desembargador Robson Albanez.
Como o nome sugere, essa apuração ocorre na esfera administrativa.
Ao final, o TJES pode decidir arquivar o procedimento ou aplicar alguma das penas disciplinares previstas na Loman: advertência, censura, remoção compulsória, disponibilidade com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço ou aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço.
A censura, escolhida pelo TJES em 2020, na prática, apenas impede a juíza de entrar na lista de promoção na carreira pelo período de um ano.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.