Davi Diniz, André Garcia, Sóstenes Araújo e Sandro de Souza LibardiCrédito: Instagram/@araujosostenes
O inspetor penitenciário Sóstenes Araújo, servidor efetivo da Secretaria Estadual da Justiça (Sejus), ganhou, nesta terça-feira (6), um cargo comissionado na pasta. Vai ser o responsável pela assessoria de políticas públicas, que era a função do ex-deputado estadual Gilsinho Lopes.
O ex-parlamentar, por sua vez, foi realocado em outro cargo de assessoria especial na Sejus. Sóstenes Araújo havia sido nomeado, em março, assessor especial da Casa Civil do governo Renato Casagrande (PSB). Em abril, o ato foi anulado.
A reportagem de A Gazetarevelou que o inspetor é investigado pela Polícia Federal. Ele é suspeito de orientar votos de detentos do Centro de Detenção Provisória da Serra em benefício de determinados candidatos nas eleições de 2022. Presos que cumprem pena (condenados) não podem votar, mas os que estão em prisão preventiva ou temporária (não foram julgados ainda), sim.
Além disso, em outubro do ano passado, Araújo foi detido por suspeita de boca de urna. No carro dele, foram encontrados materiais de campanha do então candidato à reeleição ao governo, Casagrande.
Mas tem mais. A coluna verificou que, no dia 18 de maio, o Diário Oficial registrou uma punição disciplinar ao inspetor. Ele foi suspenso por dez dias por "praticar violência no exercício da função ou a pretexto de exercê-la".
Ainda assim, na segunda-feira (5), Sóstenes Araújo divulgou, no Instagram, ter sido convidado pelo secretário estadual da Justiça, André Garcia, e pelo secretário da Casa Civil, Davi Diniz, para assumir a Assessoria de Políticas Públicas da Sejus.
"Gratidão também ao subsecretário para Assuntos do Sistema Prisional, Cel. Sandro de Souza Libardi, pela parceria em mais essa importante missão", escreveu o inspetor, na rede social.
O salário para o cargo é de R$ 10.749,69 brutos, mais auxílio-alimentação de R$ 570.
O inspetor penitenciário Sóstenes Araújo e o deputado federal Da Vitória na campanha eleitoral de 2022Crédito: Instagram/@araujosostenes
A nomeação de Araújo poderia ser um sinal do Palácio Anchieta de reaproximação com o presidente estadual do PP, o atendimento a um pleito dele.
O inspetor penitenciário fez campanha para o parlamentar em 2022. No Instagram, diz-se amigo do deputado e integrante do "time Da Vitória".
À coluna, entretanto, o deputado afirmou que nem sabia que Sóstenes Araújo seria nomeado e não o indicou para o cargo.
"Estou sabendo da nomeação através de você", afirmou o deputado.
"Que bom que ele (Sóstenes Araújo) foi convidado e aceitou, mas não passou por mim. É uma pessoa que tem experiência e pode contribuir"
Da Vitória (PP) - Deputado federal
Assim, a relação entre o presidente estadual do PP e Casagrande segue na mesma.
O parlamentar contou que encontrou o socialista em Belo Horizonte, no último final de semana, durante o encontro do Consórcio Sul e Sudeste (Cosud), que reúne governadores das duas regiões.
Os coordenadores das bancadas federais (formadas por deputados federais e senadores) de cada estado também se fizeram presentes. Da Vitória coordena a do Espírito Santo.
"Tratamos de assuntos relacionados à agenda de lá, de forma coletiva. Ele (Casagrande) não me chamou para conversar, certamente, por que não precisou. Se precisar, vai me chamar. Assim como eu, se tiver algum assunto para tratar com ele, vou conversar", minimizou Da Vitória.
O QUE DIZ A SEJUS
A coluna questionou a Secretaria Estadual da Justiça, comandada por André Garcia, sobre as qualificações de Sóstenes Araújo para o cargo de assessor de políticas públicas da pasta e quanto à adequação do nome dele à função, considerando a investigação em curso na Polícia Federal e a punição disciplinar que o inspetor sofreu.
"A Sejus esclarece que a designação do servidor para a função visa o melhor aproveitamento dos profissionais que atuam na Secretaria e que possam contribuir com a gestão do sistema prisional", respondeu, via assessoria de imprensa.
"Sobre o processo apuratório em curso, a Sejus esclarece que não há qualquer óbice legal ou decisão em sentido contrário em desfavor do servidor e esclarece que os procedimentos instaurados também asseguram ao investigado o direito de ampla defesa e contraditório."
A coluna também tentou contato com Sóstenes Araújo, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.
Além de apoiar as reeleições de Casagrande e Da Vitória em 2022, o inspetor já se aventurou nas urnas. Foi candidato a deputado estadual em 2014, pelo PRTB, e em 2018, pela Rede.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.