Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Crise? Que crise?

Da Vitória rebate Casagrande e diz que não se afastou do governo: "Só opino onde sou chamado"

Deputado federal, que preside o PP no ES, quebrou o silêncio em entrevista à coluna. Da Vitória ressaltou que o partido segue colaborando com a gestão do socialista. Já a permanência da sigla no secretariado é uma incógnita: "É decisão do governador. Ele nomeia quem ele quiser"

Publicado em 30 de Maio de 2023 às 11:45

Públicado em 

30 mai 2023 às 11:45
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

O deputado federal Da Vitória
O deputado federal Da Vitória Crédito: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
O deputado federal Da Vitória, presidente do PP no Espírito Santo, guardou o silêncio, nos últimos dias, ao menos publicamente, enquanto especulações rondavam os bastidores da política capixaba. Após a aproximação entre o Progressistas e o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), o clima entre o PP e o governador Renato Casagrande (PSB), que está longe de ser um aliado do chefe do Executivo da Capital, azedou. 
O vereador Anderson Goggi, o único do Progressistas na Câmara de Vitória, foi convidado a integrar o primeiro escalão na prefeitura. Se isso se concretizasse, o PP estaria, ao mesmo tempo, no secretariado de Pazolini e no de Casagrande. 
Goggi recusou o convite, alegou razões pessoais, como o curto prazo que teria para se dedicar a uma eventual secretaria, já que é pré-candidato à reeleição em 2024 e teria que deixar a função na prefeitura em abril. À coluna, na segunda-feira (29), o vereador ressaltou que é "100% Casagrande".
O governador, porém, sustenta que esse não é o problema na relação com o Progressistas e sim o fato de Da Vitória ter afastado o partido da gestão estadual: "Depois que ele (Da Vitória) assumiu o partido, afastou o partido da relação com o governo".
Na manhã desta terça-feira (30), o deputado federal concedeu a primeira entrevista sobre o assunto. Com exclusividade à coluna, Da Vitória rebateu Casagrande: "Não estou a afastado".
Ele, que é aliado do governador desde 2010, lembrou que também é próximo de Pazolini e do Republicanos. E, como presidente do partido, cargo que assumiu em abril, deve manter diálogo com diversos grupos políticos.
"Mantemos a mesma postura. Estamos ajudando o governo do estado. Estamos colaborando com ele", respondeu Da Vitória, ao ser questionado se o PP é, oficialmente, um aliado do governo Casagrande, apesar das turbulências.
"Temos dois deputados na Assembleia (Raquel Lessa e Theodorico Ferraço) que votam com o governo, por orientação do partido", ressaltou. 
Além disso, o PP tem o titular da Secretaria de Estado de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb), Marcus Vicente. Este presidiu o partido no Espírito Santo por dez anos. Deixou o cargo por decisão da Executiva nacional da legenda, dando lugar a Da Vitória.
Marcus Vicente é vice-presidente estadual e segue na equipe de Casagrande, assim como outros integrantes do Progressistas, como o secretário-geral, Marcos Delmaestro, que é assessor especial na Casa Civil. Diante da insatisfação do governador, porém, a questão é: até quando? 
"Compor o governo ou não compor, é decisão do governador. Ele (Casagrande) nomeia quem ele quiser", cravou Da Vitória.
Um ponto em comum entre as declarações do deputado federal e do governador é que os dois se colocam à disposição para dialogar. Mas nenhum convida o outro para tal.
Confira a entrevista de Da Vitória:
O senhor é aliado de longa data do governador Renato Casagrande. Logo depois que assumiu a presidência estadual do PP, em abril, disse que nada mudaria na relação com a gestão estadual. Agora, Casagrande afirma que o senhor afastou o partido do governo. O que houve?
Eu também não sei. Não mudou nada. Tem que perguntar a ele. Para mim, não estou a afastado. Se o governador me chamar, vou estar sempre à disposição.
O governador diz que não está havendo diálogo com o PP sobre "avaliação de governo e debate sobre política estadual e nacional"...
A gente só opina onde é chamado. Ele tem um secretário lá (Marcus Vicente) que é orgânico. Tem o subsecretário Delmaestro, que tem todo o aval do partido. São conversas que não condizem com a realidade. Se o governo quiser qualquer sugestão do presidente do partido, estou aqui.
Então o problema seria a aproximação do PP com o Republicanos do prefeito Pazolini?
O governador tem mais de 40 anos de vida pública e não passa pela cabeça dele nada disso. O diálogo é o melhor exercício.
Vou receber todas as pessoas que me procurarem e vou respeitar o diretório municipal. 
Acabamos de ganhar a eleição (de 2022). Estamos colaborando com o governo do estado. Temos dois deputados na Assembleia (Raquel Lessa e Theodorico Ferraço) que votam com ele, por orientação do partido.
O PP é, hoje, então, oficialmente, um aliado do governador Renato Casagrande?
Temos a mesma postura desde o processo da eleição (de 2022). Estamos ajudando o governo do estado. Quem dera se eu fosse governador e tivesse um partido como o PP como aliado.
A única coisa que mudou foram especulações e nenhuma delas nasceu da minha manifestação.
A expectativa, ou especulação, agora, é se o PP vai continuar no governo Casagrande.
Estamos ajudando o governo do estado. Agora, compor o governo ou não compor, é decisão do governador. Ele nomeia quem ele quiser e nomeia quem quiser.
Marcus Vicente tem o apoio do partido e tem contribuído. É um dos secretários mais leais (a Casagrande) e trabalha bem, mas o governador é que decide. Qualquer decisão do governador terá todo o nosso respeito.
Aí nós vamos reunir a Executiva (do partido, para discutir o que fazer). Mas já estive aliado de governo várias vezes sem participar com indicação no governo.
O deputado federal Evair de Melo, que agora é vice-presidente nacional do PP, já me disse que o presidente nacional Ciro Nogueira, e o próprio Evair trabalham para que o PP se afaste de partidos de esquerda, como o PSB de Casagrande. 
Evair faz oposição ao governador há tempos, logo, não é de se estranhar que ele encampe esse movimento. Mas e o senhor? Recebeu alguma orientação da Executiva nacional nesse sentido?
Até o momento, não tem nada disso aqui (no Espírito Santo). Eu convenci o Ciro (Nogueira) para obter aval do partido para apoiar Casagrande no ano passado.
O que eu faço é conversar, a não ser com quem não quer conversar.
E como fica a situação em Vitória? O vereador Anderson Goggi não vai ser secretário municipal, mas o PP ainda pode integrar a gestão de Pazolini? O senhor disse que vai respeitar o diretório municipal ... (Delmaestro, aliado de Casagrande, é o presidente do PP em Vitória)
O diretório municipal terá um peso importante, mas em cidades grandes, como Vitória, vamos dialogar com a Executiva estadual também. 
Pazolini esteve na minha campanha, sempre foi um aliado meu. Vou ouvir também o vereador Anderson Goggi. 
O PP teria outro nome para ser secretário em Vitória?
Não conversei nada sobre isso. E para ser aliado não precisa nem estar compondo (o secretariado).
"Tenho visto o governador conversar com Pazolini. Daqui a uns dias, pode ser que estejam alinhados "
Da Vitória - Deputado federal e presidente do PP no ES
Quem ganha uma eleição precisa estar com o espírito aberto. O secretário (de Justiça)André Garcia estava afastado dele (de Casagrande) e está contribuindo. 
O governo do estado trouxe alguns nomes diferentes. Trouxe o Enio Bergoli (secretário de Agricultura), além do André Garcia. E eu não tenho que perguntar o governador sobre isso. Certamente, ele entende que seriam contribuições importantes para a gestão.
O presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (Podemos), afirmou que vai se empenhar para reaproximar o senhor e o governador. O senhor esteve com Marcelo ontem (segunda-feira) à noite. Como foi?
Ele está legitimado a conversar, é um amigo. Ele conversou comigo e eu respondi: o que você me solicitou em relação ao governo que eu não fiz?
Já estou muito aproximado.
Ele (Marcelo Santos) disse de criar um ambiente. Mas, para mim, o ambiente está criado.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Morre aos 95 anos Geraldo Domingues Carneiro, fundador da Escola São Domingos
Afronta
Cais das Artes recebe festival de artes integradas com MC Afronta e foco no protagonismo de mulheres negras
Artista Josélia Andrade
Mostra gratuita em Vitória usa performance para refletir sobre violências contra mulheres negras

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados