Arnaldinho Borgo e a corrida pelo governo do ES em 2026
Palácio Anchieta
Arnaldinho Borgo e a corrida pelo governo do ES em 2026
Aliados do prefeito de Vila Velha querem mais liberdade para que ele possa se movimentar como possível candidato ao Palácio Anchieta, mas sem confrontar Ricardo Ferraço
Arnaldinho Borgo toma posse no segundo mandato como prefeito de Vila Velha, em janeiro de 2025Crédito: Carlos Alberto Silva
O vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) movimenta-se de olho em 2026, quando pode disputar o governo do Espírito Santo. O plano A do grupo do governador Renato Casagrande (PSB) é realmente lançá-lo na empreitada. Mas, como o próprio governador já frisou, o emedebista precisa "se viabilizar", ou seja, angariar apoio político e intenções de voto.
Como plano B, Casagrande listou outros cinco possíveis candidatos ao Palácio: Euclério Sampaio (MDB), Sérgio Vidigal (PDT), Da Vitória (PP), Gilson Daniel (Podemos) e Arnaldinho Borgo.
O prefeito de Vila Velha, aliás, decidiu sair do Podemos e está em busca de uma sigla em que possa se articular e se fortalecer como alternativa.
Aliados dele preocupam-se, querem mais liberdade para o prefeito se mexer, mas, ao mesmo tempo, evitam bater de frente com Ricardo e com os desígnios do próprio Casagrande, principal aliado do prefeito. É uma situação delicada.
Arnaldinho Borgo e a corrida pelo governo do ES em 2026
A questão é: Ricardo percorre o interior do estado e conversa com líderes partidários. Já os demais possíveis candidatos palacianos ficam, de certa forma, limitados, têm que agir mais discretamente, já que o nome do grupo, no momento, é o do vice-governador.
Enquanto isso, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), já colocou o bloco na rua, vai ao interior e tem o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, como articulador em busca de aliados. Pazolini movimenta-se abertamente e é o principal adversário do grupo de Casagrande.
Arnaldinho age de forma comedida. "Ele nem fala 'se Ricardo não se viabilizar eu serei candidato', como alguns já falaram, porque isso poderia soar como uma tentativa de queimar o Ricardo'", conta um aliado do prefeito de Vila Velha.
"E (Arnaldinho) até evita receber títulos de cidadão de cidades do interior, para não dar brecha a especulações", completa o aliado.
Mas a verdade é que o prefeito quer, sim, disputar o Palácio Anchieta em 2026. Só precisa encontrar um caminho e, claro, contar com a bênção de Renato Casagrande.
"A eleição do ano que vem tem tudo para ser geracional. Para enfrentar Pazolini, deveríamos escolher um candidato da mesma geração que ele. Arnaldinho se encaixa nesse perfil", defende outro correligionário de Arnaldinho.
O fato é que o prefeito de Vila Velha está no "hype", foi reeleito com 79,04% dos votos em 2024, um capital político que pessoas próximas a ele não querem desperdiçar. O mesmo raciocínio é utilizado por aliados do prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), reeleito com impressionantes 88,41% dos votos.
Nos últimos dias, a coluna percebeu certa inquietação entre aliados do governador a respeito do timing das eleições de 2026.
Teria Casagrande se precipitado ao iniciar a "corrida pela corrida" ao Palácio já em dezembro de 2024?
Ou, na verdade, pode ficar até tarde para as movimentações de Arnaldinho e demais possíveis candidatos da base aliada? Isso se o plano A, Ricardo Ferraço, for mantido até a última hora em 2026 e, por fim, não se viabilizar.
De acordo com a legislação eleitoral, quem quiser disputar o pleito do ano que vem tem que estar filiado a um partido até abril de 2026. Ou seja, pela letra fria da lei, Arnaldinho Borgo tem tempo.
Pode usar isso para valorizar o próprio passe nas negociações com as siglas. O problema é que há poucas opções, desde já.
Como Arnaldinho é da base de Casagrande, teria que se abrigar em um dos partidos da aliança casagrandista.
E, como é um político de centro-direita, não se filiaria a um partido de esquerda.
O prefeito de Vila Velha foi convidado a ingressar no PP, sigla que apoia Casagrande e é de centro-direita, ainda no ano passado. Mas o Progressistas está em vias de se federar com o União Brasil e, assim, o convite vai ser reavaliado.
"Essa federação não tem concorrentes em termos de força, de tempo de TV, de fundo eleitoral e de lideranças que apoiariam um eventual candidato majoritário (aos cargos de governador e senador, em 2026). Para quem quer disputar uma vaga majoritária, a federação é o lugar", afirmou o deputado federal Da Vitória, presidente estadual do PP e futuro presidente da federação PP-União Brasil no Espírito Santo.
"Mas tenho que aguardar a consolidação da federação e ouvir os líderes do União antes de falar com Arnaldinho", ressaltou Da Vitória.
O União Brasil, nas esferas nacional e estadual, já declarou apoio a Ricardo Ferraço para 2026.
De acordo com uma fonte da coluna, Arnaldinho chegou a conversar, meses atrás, com representantes do PSD, mas as tratativas não evoluíram.
Arnaldinho Borgo e Ricardo Ferraço na inauguração da Ponte da Madalena e de uma ciclovia, em Vila Velha, no dia 18 de janeiro de 2025Crédito: Ricardo Medeiros
Em meio a diversas especulações e temores, um observador do mercado político lembrou à coluna que há riscos para todos os envolvidos. Até mesmo para os que se movimentam desde já de olho no Palácio Anchieta.
"Isso de se movimentar com antecedência é uma faca de dois gumes. Pazolini está percorrendo o interior do estado. Imagina se acontece um conflito violento, alguma coisa grave em Vitória, e o prefeito da Capital está no interior em pré-campanha? É um risco", destacou.
"Fazer uma boa gestão em Vitória promove mais o prefeito do que essas visitas ao interior. O mesmo pode valer para Arnaldinho."
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.