A estratégia de Evair de Melo para disputar o governo do ES em 2026
Deputado federal
A estratégia de Evair de Melo para disputar o governo do ES em 2026
Parlamentar do PP aposta todas as fichas no sentimento antipetista. Fatores como o desempenho do governo Lula e o estrago na imagem do bolsonarismo com o esquema das joias relógios e afins, entretanto, têm que ser levados em conta
Deputado federal Evair de MeloCrédito: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Evair de Melo está no terceiro mandato de deputado federal. Começou a militância política no PSB, passou por PSDB e PV e já foi aliado do governador Renato Casagrande (PSB).
Em 2016, votou a favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT). No governo Jair Bolsonaro (PL), Evair, já filiado ao PP, revelou-se um político de direita, passou a fazer oposição a Casagrade e agora quer suceder o socialista no Palácio Anchieta.
Para isso, prepara-se para o pleito de 2026 com uma estratégia muito clara: apresentar-se como "o" adversário do PT.
O Partido dos Trabalhadores é aliado do atual governador e comanda a Presidência da República, com Lula, mas, se dependesse apenas dos eleitores do Espírito Santo, Bolsonaro teria derrotado o petista e sido reeleito em primeiro turno em 2022.
Casagrande cortou um dobrado para ser reconduzido ao cargo, teve até que deixar rolar o voto "CasaNaro" ou "BolsoGrande", apesar de ter apoiado Lula.
Além do conservadorismo, ou pensamento retrógrado, o bolsonarismo é muito movido pelo sentimento anti-PT. E é isso que o deputado federal pretende explorar.
"Eu sempre fui contra o PT", afirmou, diversas vezes, na entrevista que concedeu à coluna no gabinete, em Brasília.
"Lá na roça, eu era inocente, não sabia, aí me filiei ao PSB, porque o que tinha lá no município era o PSB (...) As pessoas evoluem, depois fui para o PP", narrou.
Evair foi um dos vice-líderes do governo Bolsonaro e é oposição a Lula, embora o partido ensaie ingressar no governo petista.
E o PP está na base de Casagrande. É bem verdade que isso pode mudar até 2026, como mostra o estremecimento entre o presidente estadual da sigla, o deputado federal Da Vitória, e o chefe do Executivo estadual.
A rusga, de acordo com eles, foi superada, mas os atritos decorrentes das eleições de 2024, em que o Progressistas pode ficar de um lado e o PSB, de outro, em cidades-chave, estão apenas começando.
"Não vou sair do PP. Vou ser candidato ao governo pelo PP", cravou Evair.
Por enquanto, somente o próprio Evair prega isso no partido.
Ele poderia ter assumido a presidência estadual da legenda, mas deixou para Da Vitória, que tem menos tempo de filiação.
É que Evair prefere captar votos de forma menos institucionalizada. Até porque, como líder do partido, ele teria que atrair prefeitos, que, via de regra, fogem de confrontos com o governador do estado, seja qual for o governador.
Assim, ficaria difícil fazer oposição a Casagrande.
Detalhe do gabinete de Evair de Melo, em BrasíliaCrédito: Letícia Gonçalves
No Espírito Santo, o deputado avalia que o governador e o antecessor dele, Paulo Hartung, erraram ao não fortalecerem nomes que pudessem ser sucessores naturais no governo estadual.
Lembrado pela coluna que o vice-governador Ricardo Ferraço (PSDB), que foi do grupo de Hartung e agora está com Casagrande, é um dos possíveis candidatos ao Palácio Anchieta em 2026, Evair afirmou que o tucano "qualificaria o debate", "mas não vai ter como negar o umbigo" com o governo atual.
Assim, no jogo estariam Ricardo, um político de centro-direita, e, aposta Evair, alguém do PT.
O PT já ensaia nomes como o deputado federal Helder Salomão e o senador Fabiano Contarato para concorrer em 2026 ao governo.
O deputado do PP surgiria, assim, como alguém mais à direita, para conquistar os eleitores conservadores.
É preciso, contudo, observar o PL, que levou Carlos Manato ao segundo turno em 2022.
Mas, enfim, e se o governo Lula estiver bem em 2026? Isso não minaria a estratégia anti-PT de Evair?
"Isso não vai acontecer, o caos já está contratado", previu o parlamentar.
Outro fator a entrar na conta é o desgaste da direita radical e da figura de Bolsonaro.
Quando a coluna entrevistou Evair, o escândalo das joias já havia vindo à tona. Faltavam os detalhes da participação do tenente-coronel do Exército Mauro Cid, ajudante de ordens de Bolsonaro, no esquema de venda de peças presenteadas ao Estado brasieiro.
Evair, na ocasião, avaliou que isso tudo é "narrativa".
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.