Em seu Instagram, Breno, que é estudante de Direito e filiado ao Novo, postou a publicação de uma foto de uma mulher com uma bolsa nas costas, supostamente entregando pizza, e respostou uma mensagem em que estava escrito, literalmente: “Enquanto ver uma mãe de família trabalhando de entregar pizza honestamente, eu jamais vou acreditar que essa mulecadinha que rouba celular e moto são “‘vítimas da sociedade’”.
O termo “vítimas da sociedade”, a propósito, é muito utilizado, em tom de ironia, por pessoas que atacam grupos e entidades que lutam pelos direitos humanos, exatamente o setor em que atua o subsecretário na PMV.
A repostagem do subsecretário, que chegou a ocupar, interinamente, a Secretaria de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho de Vitória antes de a
ex-vereadora Neuzinha Oliveira tomar posse do cargo, causou indignação em pessoas ligadas à luta pelos direitos humanos.
“Associar o envolvimento de jovens no crime apenas à falta de acesso ao trabalho precarizado é no mínimo uma visão simplista, que gestores públicos não deveriam ter”, observa Lula Rocha, que coordena o Círculo Palmarino (movimento negro) e o Centro de Apoio aos Direitos Humanos (CADH), entidade da sociedade civil do movimento de
Direitos Humanos.
Rocha cobra da Prefeitura de Vitória que adote políticas públicas para os mais desfavorecidos. “Num país onde as ausências do Estado, que geralmente marcam a vida desses jovens desde a infância, são o gatilho para início do envolvimento deles com o crime, os que outrora prometiam paz e igualdade na Capital deveriam estar preocupados com o desenvolvimento de políticas públicas, sobretudo voltadas para os territórios historicamente excluídos na cidade.”
Candidato a prefeito de Vitória pelo Novo, ex-secretário estadual da
Segurança Pública e ex-comandante-geral da PM, Nylton Rodrigues também critica a mensagem de Panetto. “É uma fala equivocada. A fala de um gestor público tem que ir na direção de uma construção das soluções dos problemas, e não na direção de jogar pedras nos problemas.”
O coronel da reserva da Polícia Militar aponta outros caminhos para a solução dos problemas sociais: “A direção da fala tem que ser na diminuição dessa profunda desigualdade social em nosso país e apontando caminhos para se oferecer uma educação básica de qualidade para todos e a geração de oportunidades para todos em nosso país”, ressalta Rodrigues.
Para Kenner Terra, pastor da Igreja Batista e professor de Teologia e Ciências das Religiões, a fala do subsecretário “reproduz perspectivas superficiais, falaciosas e pouco acuradas a respeito do funcionamento social”. E conclui: “A postagem defende um tipo de meritocracia perversa que tira do Estado a obrigação de promover políticas públicas e legitima a precarização do trabalho. A pasta na qual está alocado exige do seu subsecretário mais sensibilidade e profundidade na análise da realidade", analisa.
Breno Panetto, que em seu perfil se define como “ativista da liberdade”, foi candidato a vereador nas últimas eleições em Vitória. Obteve 1.669 votos, mas não foi eleito. Sua votação, entretanto, foi maior do que a obtida por cinco dos 15 vereadores eleitos, mas o Novo não obteve o quociente eleitoral para ter uma vaga na Câmara da Capital.
O subsecretário já foi também militante do
MBL, o Movimento Brasil Livre, que teve participação ativa no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Por ter aparecido numa festa, sem máscara e sem distanciamento social, a Prefeitura de Vitória disse que iria advertir o então secretário municipal interino de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho, hoje subsecretário da pasta.