Os dois seminaristas que foram expulsos da Diocese de
São Mateus, no dia 22 de abril, enviaram uma carta ao
bispo Paulo Bosi Dal’bó, no último dia 4, pedindo que ele revogue a medida e os reintegre ao seminário.
Wilson Rodrigues Nascimento, de 20 anos, e Pablo Antunes Colle, de 27, dizem que foram excluídos pelo reitor do seminário, padre Elder Malovini Miossi, por se recusarem a participar de aulas presenciais durante a
pandemia do novo coronavírus.
Os dois jovens estavam se preparando para se tornarem padres e cursavam a segunda etapa de formação, na unidade do Seminário Maior da Diocese de São Mateus, no bairro Manoel Plaza, na
Serra.
Segundo Wilson, o documento foi encaminhado ao prelado por sugestão da
Defensoria Pública do ES, a quem recorreram. No ofício, os ex-seminaristas argumentam que a decisão de desligamento deles foi tomada exclusivamente pelo reitor do seminário sem consulta a dom Paulo.
Pablo e Wilson também apontam na longa carta que a pandemia de Covid-19 continua: “Trata-se de um vírus letal contra o qual não há remédio ou vacina, e que o isolamento social e a permanência em casa são os mais poderosos remédios neste momento, conforme argumentam incansavelmente os cientistas, o
Ministério da Saúde do Brasil, líderes e chefes de Estado de todo o planeta e a
Organização Mundial da Saúde (OMS)”.
No final do documento, os dois expressam ao bispo de São Mateus o desejo de retornarem ao seminário e criticam o reitor. “As partes que vos escrevem em nenhum momento solicitaram desligamento do processo formativo. A decisão partiu do reitor padre Elder Malovini Miossi num rompante de raiva contra desafetos subordinados. Nós temos o profundo desejo de continuar no processo formativo da Diocese de São Mateus da qual integramos”, apelam.
Wilson Nascimento, que voltou a morar com a mãe em
Boa Esperança, no Noroeste do Estado, diz que, formalmente, não recebeu nenhum documento com o registro do desligamento do seminário maior.
“Não existe nada. Não temos ciência da existência de nenhum documento formal. Não assinamos nada. Até porque partiu do padre a decisão e não do bispo, que é o responsável primeiro pela formação”, afirma. Ele diz que não descarta entrar com uma ação na Justiça para pedir sua reintegração ao seminário.
Procurado pela coluna, dom Paulo Bosi Dal’bó não quis adiantar se aceitará ou não o pedido dos dois seminaristas: “Tenho que averiguar com os advogados para saber como está a situação”, limitou-se a dizer.