Todo ano é a mesma dúvida: quanto tempo dura a Quaresma, o período litúrgico que começa na Quarta-Feira de Cinzas e que é marcado, segundo a tradição católica, por momentos de reflexão, abstinência e jejum? A resposta remete a uma decisão de um papa católico que acabou mudando o calendário litúrgico.
Há 55 anos, em 1969, o papa Paulo VI publicou as “Normas Universais do Ano Litúrgico” e o “Novo Calendário Romano Geral”, determinando que o tempo da Quaresma vai da Quarta-feira de Cinzas até a Missa na Ceia do Senhor, exclusive”. Isso significa que, na atual forma do rito romano, a Quaresma se encerra na Quinta-feira Santa, antes da missa vespertina do lava-pés e da instituição da eucaristia.
Mais recentemente, em 1988, essa norma e o novo calendário foram confirmados pela Carta Circular
Paschalis Sollemnitatis, da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, um dos dicastérios (departamentos) mais importantes do governo da
Igreja Católica.
Portanto, nesta quinta-feira (28), à tarde, um dos períodos litúrgicos mais ricos de simbolismo chega ao fim, 44 dias depois da Quarta-Feira de Cinzas, que em 2024 começou bem mais cedo - no dia 14 de fevereiro.
Um grupo considerável de católicos, principalmente, costuma cumprir alguma penitência nesse período, como, por exemplo, deixar de ingerir bebidas alcoólicas ou se abster de comer um alimento de que gosta muito.
Mas, atenção, a tradição também recomenda que a Sexta-Feira Santa, dia da Paixão e Morte de Jesus Cristo, seja dia de reflexão, abstinência e também jejum, como na Quaresma.
Portanto, os mais devotos deveriam se sentir livres de tais obrigações apenas no Sábado de Aleluia, ou Sábado Santo, o dia que marca a véspera da Páscoa e a expectativa pela ressurreição de Jesus.
É o que defende, por exemplo, o padre Paulo Ricardo, sacerdote da Arquidiocese de
Cuiabá (MT) e grande ativista nas redes sociais.
“Para nós, católicos, a Quaresma e o espírito de penitência que a acompanha só devem cessar de fato na noite do Sábado Santo. Mais do que uma questão de datas e nomenclaturas, é uma questão de coerência”, pontua.
Para o padre, é preciso não se precipitar: “Não faz sentido preparar-se com afinco ao longo de todo um tempo, justamente para celebrar a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, e ‘pisar na jaca’ nos dias em que celebramos esses mistérios. É como comer o bolo de casamento antes de a festa começar”, compara Paulo Ricardo.
Lembrando que, após a missa vespertina da Quinta-Feira Santa, inicia-se o Tríduo Pascal, período mais sagrado para o catolicismo e que abrange a Sexta-feira Santa, o Sábado Santo, que tem o seu centro na Vigília Pascal à noite, e concluindo-se com o Domingo da Ressurreição.
A coluna deseja uma santa Semana Santa e uma Feliz
Páscoa a todos.