A história que você vai ler aqui, prezado leitor, envolve intolerância (ainda que involuntária), polícia, crianças e um final feliz. Muito feliz. Tudo começou com um chamado no Ciodes, o serviço de urgência da
Polícia Militar. Só que desta vez não era um comunicado comum.
Acostumados a serem acionados para atender ocorrências de homicídios, agressões, tráfico de drogas e toda sorte de violência, os soldados PM Leonam e Wínicius foram mobilizados desta vez para um caso insólito: surtada, uma moradora de Guaranhuns, em
Vila Velha, rasgou uma bola que caiu no seu quintal. O brinquedo pertencia a um grupo de crianças do bairro.
No local, os militares do 4º BPM (Ibes) constataram que os pequenos estavam inconsoláveis porque a única bola que tinham foi destruída em segundos pela vizinha. Comovidos com a cena, os dois soldados entenderam que a questão ultrapassava o âmbito policial, haja vista a situação emocional da mulher.
Era muito mais que isso: eles estavam desafiados, de alguma forma, a apagar aquela cena de violência, protagonizada pela senhora surtada, dando às crianças o direito de sonhar novamente com um mundo mais feliz, representado naquela simples bola de plástico.
Os PMs Leonam e Wínicius resolveram agir. Compraram cinco bolas e chocolates e voltaram a Guaranhuns, no dia 29 de março, para presentear as crianças.
“Atender uma ocorrência como essa mexe demais com a gente. As crianças são apenas crianças, que gostam brincar. Todos fomos afetados por mudanças de comportamento no último ano por conta da pandemia e brincar na rua é a única coisa que eles tinham”, diz Leonam.
As crianças agradeceram aos policiais não com a formalidade que rege as relações dos adultos. O “muito obrigado” veio através do brilho do olhar de cada uma delas. E com a bola rolando novamente, porque o jogo não acabou e a vitória há de ser alcançada.