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Leonel Ximenes

Pedro Canário, a cidade onde os assassinatos fazem parte da rotina

Município onde um PM matou um adolescente tem taxa de homicídios maior que o dobro da média do Brasil

Públicado em 

02 mar 2023 às 14:13
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Vista noturna de Pedro Canário, cidade no extremo Norte do ES que faz divisa com a Bahia
Vista noturna de Pedro Canário, cidade que tem um alto índice de homicídios Crédito: Prefeitura de Pedro Canário
Sob qualquer ângulo, e comparando-se os diversos índices, Pedro Canário, a cidade do extremo Norte do Espírito Santo que faz divisa com a Bahia, pode ser considerada violenta. Portanto, a morte de um adolescente nesta quarta-feira (1º) por um policial militar, é mais um episódio chocante numa cidade acostumada a chorar pelos seus mortos vítimas da violência sem fim.
Aos números. Pedro Canário, com população estimada em 27 mil habitantes, tem um índice escandaloso de homicídios. No ano passado, foram 54,44 para cada grupo de 100 mil pessoas, uma taxa que é mais que o dobro do também violento Brasil, que é de 22,3, de acordo com dados de 2021 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2022.
A cidade capixaba, para vergonha nossa, seria também a 21ª mais violenta do mundo levando-se em conta o ranking anual elaborado pela ONG mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal, publicado recentemente pela revista Exame.
Neste triste ranking, as cidades mexicanas, devastadas pelo narcotráfico, lideram as estatísticas letais, como Colima, que tem uma incrível taxa de homicídios de 181,94/100 mil.
Mas voltemos à nossa paróquia. Segundo dados da Secretaria Estadual da Segurança Pública (Sesp), Pedro Canário é palco de um verdadeiro banho de sangue nos últimos anos. Em 2019 e 2020, a cidade registrou 15 homicídios, em cada ano.
Em 2021, talvez por causa da pandemia, o número despencou e foi a cinco, mas no ano passado a rotina de violência voltou e fez novas 15 vítimas de assassinatos, um aumento cruel de 200% na taxa de mortes violentas intencionais.
Em 2023, até fevereiro, Pedro Canário já havia contabilizado quatro homicídios. O desta quarta-feira (1º), segundo a Sesp explicou, também contribuirá para alavancar essa mórbida estatística. O episódio, de acordo com o órgão, configura crime militar.
Ou seja, o agente de Estado, que nesta quarta-feira tinha todas as condições de cumprir seu dever, prender e entregar o suspeito à Justiça, acaba por contribuir para elevar uma estatística que incomoda e envergonha o Espírito Santo há muitos anos. Até quando?

Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Feedral do Espírito Santo.

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