Aos números.
Pedro Canário, com população estimada em 27 mil habitantes, tem um índice escandaloso de homicídios. No ano passado, foram 54,44 para cada grupo de 100 mil pessoas, uma taxa que é mais que o dobro do também violento Brasil, que é de 22,3, de acordo com dados de 2021 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2022.
A cidade capixaba, para vergonha nossa, seria também a 21ª mais violenta do mundo levando-se em conta o ranking anual elaborado pela ONG mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal,
publicado recentemente pela revista Exame.
Neste triste ranking, as cidades mexicanas, devastadas pelo narcotráfico, lideram as estatísticas letais, como Colima, que tem uma incrível taxa de homicídios de 181,94/100 mil.
Em 2021, talvez por causa da pandemia, o número despencou e foi a cinco, mas no ano passado a rotina de violência voltou e fez novas 15 vítimas de assassinatos, um aumento cruel de 200% na taxa de mortes violentas intencionais.
Em 2023, até fevereiro, Pedro Canário já havia contabilizado quatro homicídios. O desta quarta-feira (1º), segundo a Sesp explicou, também contribuirá para alavancar essa mórbida estatística. O episódio, de acordo com o órgão, configura crime militar.
Ou seja, o agente de Estado, que nesta quarta-feira tinha todas as condições de cumprir seu dever, prender e entregar o suspeito à Justiça, acaba por contribuir para elevar uma estatística que incomoda e envergonha o Espírito Santo há muitos anos. Até quando?