Ninguém cerrou os punhos e cantou “A Internacional”, não se ouviu ninguém proclamar “viva a revolução!”, não se falou mal do capitalismo. Foi uma visita meramente protocolar (institucional) do cônsul-geral de Cuba no Brasil ao
Tribunal de Justiça do Espírito Santo, marcada pela civilidade e pelos bons-modos (em outros tempos, nem seria preciso destacar essas qualidades).
Pedro Monzón e sua mulher, Jasely Fernandez Garrido, foram recebidos pelo presidente do TJES, desembargador Fabio Cleim de Oliveira, na visita articulada pelo advogado e ex-presidente da
OAB-ES Homero Mafra, o mais cubano dos capixabas.
Em se tratando de Cuba, a esquerda esteve representada também pelo
deputado federal Helder Salomão (PT), o vereador de Vitória André Moreira (PSOL) e o ex-subsecretário de Direitos Humanos do Estado Perly Cipriano (PT), entre outras pessoas que acompanharam o encontro.
Monzón falou sobre o impacto para o seu país dos 60 anos de bloqueio econômico a Cuba, imposto pelos EUA, e defendeu que as nações devem negociar em condições de igualdade umas com as outras. Além disso, o diplomata ressaltou a importância do estreitamento de laços entre Brasil e Cuba.
O presidente do Tribunal de Justiça do ES, por sua vez, deu as boas-vindas a todos os membros da comitiva e agradeceu a visita de cortesia. Fabio Clem também destacou a importância do diálogo entre países e instituições, bem como o respeito à autoconstituição dos povos.
A visita do diplomata cubano ao TJ aconteceu na sexta-feira (14), véspera da 2ª etapa do Interestadual ES/RJ de Solidariedade a Cuba, realizada em
Vitória, com a participação de Monzón.
O cônsul-geral de Cuba iria se encontrar também com Casagrande (PSB) e o presidente da Assembleia Legislativa do ES, Marcelo Santos (Podemos), mas, segundo Homero Mafra, o encontro não foi possível porque o governador e o deputado estavam recebendo o ministro dos Portos e Aeroportos, Márcio França,
que esteve em Linhares para a inauguração do aeroporto local. “Mas o cônsul falou com o governador por telefone”, conta Homero.
Durante a 2ª etapa Interestadual ES/RJ de Solidariedade a Cuba, no sábado (15), no Triplex Vermelho, no Centro de Vitória, o assunto predominante foi o bloqueio à ilha comunista: “O bloqueio fere o Direito Internacional”, afirma Homero.
No final, Monzón voltou a
São Paulo, cidade onde fica o consulado-geral de Cuba, satisfeito com a recepção que teve. E o Espírito Santo mostrou que é educado e bom anfitrião - e continua sendo capitalista (fique tranquilo, não será desta vez que seu Fiat Uno 97 será confiscado).