Um dos maiores agitadores culturais de
Vitória, seu Raimundo Oliveira entrou em 2024 com a certeza de que neste ano ele iria promover a 15ª edição do tradicional Encontro de Chorinhos e Chorões na comunidade dos Alagoanos, previsto para esta terça-feira (23). Não vai mais. A esperança deu lugar ao choro.
Seu Raimundo, de 77 anos, enfrentou duas barreiras que inviabilizaram uma das maiores manifestações culturais de raiz popular na Ilha. Primeiro, foi alcançado por uma Covid que o obrigou ao recolhimento e o impediu de organizar o evento, desde a contratação dos músicos aos detalhes da logística.
Superado o problema de saúde, o agitador cultural se viu diante de uma velha “enfermidade” que acomete tantas manifestações culturais país afora: a falta de apoio - oficial e privado. E neste caso, com um sintoma muito grave: a indiferença a um festival de chorinho, um dos mais autênticos gêneros musicais brasileiros.
“Fico triste em ter que cancelar esse evento que é tão tradicional e importante para a cultura popular em Vitória e no Estado do Espírito Santo. Mas eu não vou desistir. Na primeira oportunidade, quem sabe ainda neste ano, o Encontro de Chorinhos e Chorões será realizado no Morro dos Alagoanos”, conforma-se o sempre esperançoso seu Raimundo.
Em outra época, entretanto, o festival não terá o mesmo charme e apelo do 23 de abril, o Dia Nacional do Choro, comemorado neste dia em referência à data de nascimento de Alfredo Vianna da Rocha Filho (1897), o Pixinguinha, o homem que chorava e fazia chorar com sua flauta.