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Leonel Ximenes

Mulher agredida liga para o 190, pede pizza e é socorrida pela PM no ES

Com a voz abalada e tensa, dona de casa da Serra fez o chamado, a operadora do Ciodes percebeu a emergência e acionou a polícia

Publicado em 02 de Junho de 2021 às 02:05

Públicado em 

02 jun 2021 às 02:05
Leonel Ximenes

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Operadora do Ciodes 190: treinamento intensivo para perceber situações inusitadas de emergência
Operadora do Ciodes 190: treinamento intensivo para perceber situações inusitadas de emergência Crédito: Sesp/Divulgação
Com voz abalada e tensa, uma mulher que estava sendo agredida pelo marido, na Serra, ligou para o telefone 190 e pediu uma pizza (veja o diálogo abaixo). A operadora do Ciodes percebeu a situação de emergência, deu continuidade ao atendimento, levantou os dados necessários e uma equipe da Polícia Militar foi enviada pelo centro de operações para socorrer a vítima.
O caso, que ocorreu em abril, foi semelhante ao registrado na semana passada em Andradina, no interior de São Paulo. Mas aqui no Espírito Santo, quando os PMs chegaram à casa da vítima, ela alegou que já havia chegado a um entendimento com o marido e não quis prestar queixa na delegacia de Polícia Civil.
Neste caso, chama a atenção a sensibilidade da operadora do Ciodes, que percebeu, por meio de um pedido inusitado ao 190, uma situação de violência a que estava sendo submetida a mulher que ligou para o número de emergência.
Na realidade, a percepção da operadora é resultado de muito treinamento. Segundo o coronel Márcio Celante, diretor do Ciodes, os atendentes da central são submetidos a treinamento periódicos e intensivos para que saibam perceber, nas entrelinhas, a gravidade de uma situação para que as forças policiais possam agir imediatamente.
“Os atendentes do call center recebem três treinamentos mensais, num intervalo de sete a 10 dias. A gente recebe chamados semelhantes de vítimas pedindo remédios, comida em restaurantes e até sobre trabalhos em faculdade. Não são trotes”, explica o coronel Celante.
Cerca de 900 auditorias são feitas mensalmente sobre os atendimentos do Ciodes. Parte dessas ocorrências são analisadas em treinamentos das equipes, preservando-se sempre o nome das pessoas envolvidas. Esses chamados são estudados de forma mais intensa e servem de modelo para futuros atendimentos.
O Ciodes tem duas unidades: uma na região metropolitana da Grande Vitória e outra no Sul do Estado. Junto do atendimento inicial do call center, com operadores civis, estão presentes também agentes das Polícias Militar e Civil, Bombeiros, Secretaria de Justiça (Sejus) e Guarda Municipal.
Dependendo da ocorrência, como o chamado “alerta vermelho”, o operador repassa imediatamente o contato para um policial para que ele prossiga fazendo o atendimento especializado.
No ano passado, o Ciodes 190 recebeu um total de 2,1 milhões de ligações. São cerca de 180 mil por mês e 6 mil por dia.
Há uma outra forma eficiente e moderna de contato com o Ciodes, o aplicativo APP Ciodes 190. Por meio dele, o denunciante tem sua privacidade garantida porque o operador já recebe em sua tela de computador, automaticamente, dados como nome, telefone e localização, sem que a eventual vítima tenha que falar esses dados em voz alta, o que é fundamental em situações de perigo.
Pelo aplicativo, que é gratuito e pode ser baixado em qualquer loja virtual, o denunciante pode informar casos no âmbito do Ciodes, o SOS Marias, o Cadastro Inteligente (aparelhos celulares roubados) e o Disque-Denúncia 181.

Leonel Ximenes

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Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo.

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