Não é exatamente uma “guerra santa”, mas a religião parece que entrou de vez na campanha eleitoral de Vila Velha. Tudo começou com uma mensagem enviada pela irmã do
prefeito Max Filho (PSDB), Márgia Chianca Mauro, a um grupo de zap da Paróquia Bom Pastor (Praia da Costa) e ao arcebispo de Vitória, dom Dario Campos, com críticas ao suposto apoio do padre Edemar Endringer ao candidato rival do prefeito no segundo turno,
Arnaldinho Borgo (Podemos).
A mensagem viralizou e está circulando por grupos ligados à
Igreja Católica. “Gostaria de manifestar, com todo respeito, minha insatisfação com certas posições do padre dessa igreja, Edemar. Soube por familiares que frequentam as missas da igreja Bom Pastor que certos sermões do referido padre induzem os fiéis a apoiarem o candidato adversário por ser o mesmo católico”, diz Márgia no início do texto.
O estopim da crise foi uma foto, postada nas redes sociais pela assessoria de marketing do candidato a prefeito pelo Podemos, em que o padre Edemar posa com o vereador Arnaldinho. “Recebi essa foto e fiquei indignada. Minha família é católica, meu pai é católico, apenas meu irmão [Max Filho] casou-se com uma presbiteriana e se tornou evangélico”, reclama Márgia, que diz frequentar a paróquia do padre Edmar.
A crise chegou a tal ponto que na tarde desta quinta-feira (19) o pai de Max Filho, o ex-governador Max Mauro, foi pessoalmente à paróquia conversar com o padre Edemar. Segundo o jornalista Rubinho Gomes, assessor de imprensa do prefeito que acompanhou a reunião, o sacerdote teria dito que “considerou ‘inescrupulosa’ a utilização pelo candidato do Podemos, Arnaldo Borgo, de uma foto tirada com ele numa missa em 2019, tentando induzir o eleitorado de que ele o estaria apoiando”.
“Meu pai se sentiu mais aliviado depois desse encontro”, destaca Márgia. Ela diz que tomou a iniciativa de divulgar a mensagem criticando o padre por não concordar com o suposto apoio do religioso a Arnaldinho por ele ser católico e o irmão dela ser evangélico. “Não foi justo. Escrevi essa mensagem tomada pela emoção. Temos que respeitar todas as religiões. Me senti muito ofendida.”
A irmã de Max Filho, que é promotora de Justiça, afirmou que sua iniciativa teve consequências positivas: “Acabei ajudando a Igreja Católica e aos fiéis a resolver um problema antigo na Igreja”. Ela se refere ao suposto engajamento político do padre Edemar em postagens na internet e até nas missas nas paróquias. “O padre não foi justo, talvez tenha se precipitado, talvez não conheça os seus verdadeiros fiéis.”
Ainda na quinta (19) à noite, Márgia diz que enviou outra mensagem endereçada ao padre com o seguinte conteúdo, segundo ela: “Espero que o senhor agora reconheça quem são os verdadeiros católicos”.
A coluna conversou com o padre Edemar Endringer. Ele afirma que não falou do jeito que a assessoria de imprensa do prefeito Max Filho divulgou sobre o encontro dele com o ex-governador Max Mauro. “Lógico que não falei assim. Eu disse que eu não usei a foto. Ele [Arnaldinho] faça o que quiser com a foto”, disse o sacerdote, explicando que a imagem com o hoje candidato a prefeito foi feita em março de 2019. O próprio padre enviou a foto à coluna destacando que o registro foi feito no começo do ano passado.
O pároco diz que soube da mensagem da irmã de Max porque o texto foi recebido pelo celular da paróquia. Segundo ele, Max pai pediu uma foto com ele e foi atendido. “Eu disse [ao ex-governador] que sou apaixonado pela democracia e pela alternância de poder. Arnaldinho frequenta a paróquia de Itaparica e vem na missa aqui [na Bom Pastor] há muito tempo já. Se o prefeito Max frequentasse a missa com certeza eu não negaria fazer foto, faço com turista e com todos”, afirmou o padre Edemar.