Comerciantes do setor de bares e restaurantes do Triângulo das Bermudas, na Praia do Canto, vão recolocar duas faixas de protesto que foram arrancadas, misteriosamente, na madrugada de domingo (6). As mensagens ironizavam a
fiscalização do poder público sobre o setor devido à
pandemia do novo coronavírus.
Segundo Rodrigo Vervloet, presidente do Sindbares-ES, a iniciativa do protesto visual exclusivamente foi de comerciantes da região, mas o sindicato do setor concorda com a iniciativa. “O Sindbares apoia o movimento no sentido de que somente o setor de bares e restaurantes está sofrendo restrições no presente momento. Um setor que comprovou a eficácia de seus protocolos volta a sofrer restrições após já ter sido sacrificado por oito meses em 2020”, reclama o dirigente sindical.
O aumento dos casos de infecção de Covid-19, para Vervloet, deve ser atribuído às aglomerações que ocorreram nas
eleições municipais. “A intenção das medidas restritivas sempre foram para que se fosse preparado o sistema de saúde, e dessa forma devia ter sido feito. Inclusive com planejamentos de possíveis repiques do contágio como o que estamos verificando agora, que se apresentou em razão das eleições municipais. Ao contrário, desde que houve o afrouxamento das restrições do setor, em meados de agosto, os índices tanto de contágio como de óbitos por Covid sempre caíram”, argumenta.
O presidente do Sindbares refuta a culpa do segmento que lidera pelo aumento de casos de contaminação e pede mais fiscalização em outros setores. “O que tivemos de anormal neste período foram as movimentações eleitorais. Não há qualquer lógica ou justiça em imputar ao nosso setor eventuais aumentos [de casos de Covid]. Além disso, pugnamos que haja fiscalização em todas as áreas sociais, sejam praias, calçadões etc, não direcionada a apenas um segmento empresarial.”
A fiscalização atuou também em Joana D’arc, Santa Luzia, Santo Antônio, Pontal de Camburi e Bairro República. Na Rua da Lama, no domingo (6), os comerciantes foram orientados a fecharem os estabelecimentos às 16h, seguindo as regras definidas para cidades em risco moderado da doença.
Por fim, o presidente do Sindbares argumenta que fechar bares e restaurantes é uma medida inócua: “Tem ficado muito claro que, quando se fecham os estabelecimentos regulares, as ruas são tomadas por ambulantes e carros de som, instaurando-se o completo descontrole e aglomerações. O que temos que fazer, ao invés de imputar a culpa ao empresariado, é uma conscientização social sobre a obediência aos protocolos de convivência para evitar aglomerações”.