Estado corre risco de fechar ano com mais de mil homicídios
Leonel Ximenes
Estado corre risco de fechar ano com mais de mil homicídios
Nos primeiros seis meses houve queda de mortes em relação ao ano passado (542 x 594), mas situação não é confortável; junho foi o mais violento em três anos
Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP): defasagem de servidores na PC dificulta combate à criminalidadeCrédito: Fernando Madeira
O Espírito Santo terminou o primeiro semestre com mais de 500 homicídios. Foram 542 assassinatos registrados ao longo destes seis meses, queda de 8,75% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado é melhor que o de 2020 – ano em que o primeiro semestre, com 594 registros, chegou a ter no mês de março 140 mortes –, mas pior que o de 2019, quando foram registrados 506 casos.
O grande desafio agora é conseguir finalizar o segundo semestre com menos de 457 assassinatos, para não ultrapassar a marca de mil mortes violentas dolosas, o que foi obtido no ano de 2019. Contudo, as tendências dos últimos anos demonstram que é um desafio muito grande para o Estado e que talvez isso não seja possível, se as estatísticas e tendências permanecerem.
Em 2020, o segundo semestre contabilizou 512 homicídios. Já em 2019, a segunda parte do ano teve 481 assassinatos. E, em 2018, foram exatamente 500. Assim, para que fosse obtida a meta de menos de mil homicídios, o Espírito Santo deveria alcançar, no máximo, 76 homicídios por mês. Até o momento, a menor marca de 2021 foi em maio, com 81 assassinatos.
Isso demonstra um obstáculo muito grande no momento em que a sociedade tem retornado mais às ruas, com a maior vacinação de cidadãos capixabas, e que haverá ainda no segundo semestre o início do verão, época de intenso trabalho para os agentes da segurança pública – categorias estas que enfrentam grandes déficits de servidores.
PIOR JUNHO DOS ÚLTIMOS TRÊS ANOS
Junho último foi o pior no período entre 2019 e 2021. No mês que se passou, foram 85 assassinatos, contra 80 do ano passado e 59 registros de 2019.
A região metropolitana é o destaque positivo. Com queda de 26,98%, a Grande Vitória viu o acumulado de janeiro a junho passar de 352 assassinatos, em 2020, para 249 neste ano. O maior bolsão populacional do Estado não teve nenhum município sem crime ao longo do mês que se passou. Mas, no acumulado, verificam-se quedas expressivas para as cidades de Vila Velha, com 38,04% (de 92 mortes para 57), e da Serra, com 32% (de 99 para 67).
A Região Sul, por sua vez, tem um empate técnico, com 53 crimes, no ano passado, e 52, em 2021. Já nas Regiões Norte, Serrana e Noroeste a violência explodiu. No polo que congrega Linhares e São Mateus, o crime cresceu 10,7% (de 103 para 114), enquanto na área onde fica Colatina as mortes violentas saltaram 41,7% (de 60 para 85) e nas montanhas esse acréscimo foi do patamar de 30,8% (de 26 para 34). Fontes da segurança pública apontam que o mau desempenho das regiões Serrana e Noroeste são catapultados por ausência de plantões 24 horas da Polícia Civil, o que teria sido alvo de discussões mais incisivas em reuniões da cúpula de quem comanda a proteção estadual.
DIAS E HORAS PARA O CRIME
Os dias com maior incidência de assassinatos no Espírito Santo, em 2021, são: domingo (101), terça-feira (96) e sábado (84). Já no quesito horário, as faixas líderes são: 21h (41), 22h (32), e 0h (31). Assim sendo, o período noturno é sempre o mais agitado em termos de homicídios e os fins de semana continuam tendo a tendência de concentrarem o maior número de ocorrências.
MORTES DE MULHERES
Houve uma leve queda nos assassinatos de mulheres (que incluem também o feminicídio) no Espírito Santo. Foram 52 ao longo do primeiro semestre de 2020, contra 47 neste ano. No entanto, é preciso ressaltar que ocorrências bárbaras de feminicídio foram contabilizadas no mês que se passou.
Já no Noroeste, três municípios se destacam pelos maus resultados dos homicídios: São Gabriel da Palha, Pinheiros e Nova Venécia. Ainda há o caso de Boa Esperança, que tinha somente um homicídio ao longo do primeiro semestre de 2020, mas viu, neste ano, seis ocorrências desse tipo.
Na Região Serrana, por sua vez, na bucólica Ibitirama, de somente 8.859 moradores, ocorreram seis homicídios, número muito elevado para uma cidade de população tão pequena. Não era assim: no primeiro semestre do ano passado não houve nenhum acontecimento de morte violenta.
LOCAIS SEM ASSASSINATOS
São fortalezas sem homicídios no Espírito Santo os seguintes 17 municípios: Alegre, Alto Rio Novo, Apiacá, Bom Jesus do Norte, Brejetuba, Conceição do Castelo, Divino de São Lourenço, Dores do Rio Preto, Ibiraçu, Iconha, Itaguaçu, Itarana, Jerônimo Monteiro, Laranja da Terra, Muniz Freire, Muqui e Ponto Belo – a cidade com menos nascimentos de bebês no Espírito Santo.
Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.