O Espírito Santo está longe de ter as melhores rodovias do país, mas os números mostram que as estradas que cortam o Estado são umas das mais tranquilas, pelo menos em relação ao
roubo de cargas. De janeiro a setembro deste ano, a polícia registrou oito ocorrências desse tipo de crime - média inferior a uma por mês.
O Estado vizinho mostra através dos números como a situação no ES é confortável. No Rio de Janeiro, de janeiro a julho (sete meses), foram contabilizados 3,1 mil roubos a carga. E olha que já foi pior: no ano passado, no mesmo período, o Estado fluminense registrou 4.690 - queda de 34% de 2019 para 2020.
Vamos retornar às estradas do ES: a queda no índice de roubo de cargas vem sendo registrada há pelo menos quatro anos consecutivos. Em 2016, foram 109 ocorrências contra 49 em 2017; 26 em 2018 e 11 no ano passado.
Chefe da Divisão Patrimonial e titular da Delegacia de Roubo a Cargas, a delegada Rhaiana Bremenkamp avalia que esse índice baixo de roubo a cargas tem facilitado a atração de novos negócios no ES. “O ambiente se torna favorável para que empresários invistam no setor. Ajuda atrair investimentos, principalmente a instalação de
Centros de Distribuição”, comemora.
Para ela, tem sido fundamental também a participação de outras forças policiais, como a Polícia Rodoviária Federal, e de empresas do setor, que orientam os motoristas em como agir preventivamente para evitar a ação das quadrilhas especializadas.
A delegada lembra que o Espírito Santo também tem conseguido recuperar cargas provenientes de outros Estados que são trazidas para o ES para serem “esquentadas”. A última carga recuperada era proveniente de Minas Gerais. Foi um carregamento de queijo, de 2,3 toneladas, recuperado entre Guarapari e Vila Velha.
“No começo deste ano, prendemos um membro de uma quadrilha do Rio de Janeiro que tinha 13 mandados de prisão naquele Estado. Ele confessou que só havia roubado no
Rio de Janeiro porque no ES ele admitia que a polícia prende e recupera a carga”, conta a policial.
Os criminosos que atuam neste tipo de crime têm, segundo Rhaiana, um perfil mais violento e poder bélico mais robusto: “Tanto que em uma das apreensões deste ano pegamos com a quadrilha um fuzil, coletes balísticos, duas granadas e pistolas importadas com seletor de rajada”, enumera.
Agora que todos os caminhos do ES levam à paz, que pelo menos as rodovias federais e estaduais possam ter mais qualidade para que a população chegue ao seu destino também em paz.