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Criminalidade

Witzel propõe fechar acesso a favelas para combater roubo de cargas no RJ

A iniciativa, prevista para o começo de 2020, seria uma aba do projeto Segurança Presente e agiria em corredores das estradas e acessos onde tem entrada do roubo de cargas nas comunidades

Publicado em 16 de Outubro de 2019 às 18:22

Agência FolhaPress

Publicado em 

16 out 2019 às 18:22
O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil | Arquivo
Agência FolhaPress - Fechar acessos a comunidades. A proposta integra um plano de combate ao roubo de cargas anunciado nesta quarta-feira (16) pelo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), que acumula medidas polêmicas para refrear a crise na segurança pública do estado. 
A iniciativa, prevista para o começo de 2020, seria uma aba do projeto Segurança Presente e agiria em "corredores das estradas e acessos onde tem entrada do roubo de cargas nas comunidades", disse Witzel.
Ela "vai praticamente zerar e reduzir muito o dinheiro que financia o tráfico de armas e de drogas no nosso estado", continuou. 
O governador, que se elegeu na garupa do bolsonarismo e hoje trava disputa velada com o presidente Jair Bolsonaro pela eleição de 2022, não detalhou como esse controle se daria. Mas, questionado sobre o plano apresentado num evento em Copacabana, disse que "não vai ter nenhum tipo de invasão na liberdade de  ir e vir de nenhum cidadão" que reside nesses locais. 
O estado faria, afirmou, "o controle de veículos suspeitos" e, só se moradores da favela toparem, uma vigilância mais direta. "A comunidade é que tem que conversar conosco e dizer, ó, nós queremos controle", disse a jornalistas na saída de outro compromisso no mesmo dia.
Esse seria um passo "muito importante", segundo Witzel, que comparou a hipótese com a inspeção feita em condomínios particulares "e num monte de lugar".
O governador disse ainda que o programa poderá contar com uso de helicópteros e motos de alta velocidade para reduzir o roubo de cargas que, de acordo com ele, gera um prejuízo de mais de R$ 5 bilhões anuais. 
Dados do ISP (Instituto de Segurança Pública) mostram que, de janeiro a agosto, o estado sofreu 5.277 crimes do tipo. Ao longo de todo 2018, 9.182 cargas foram roubadas.
Um estudo da Firjan (federação de indústrias do Rio) revelou que, entre 2011 e 2016, houve mais de 97 mil crimes do tipo no país todo, com impacto superior a R$ 6,1 bilhões.
Foi a bordo de um helicóptero usado pela Polícia Civil que Witzel testemunhou, em maio, agentes metralharem uma tenda de orações em Angra dos Reis (RJ), em maio. Confundiram-na com um ponto da "bandidagem" na qual o líder do Executivo fluminense prometia "botar fim".  
O uso dessas aeronaves para disparar rajadas contraria uma normativa publicada em outubro pela extinta Secretaria de Segurança Pública do estado. 
Três meses depois, o governador questionou a autenticidade de cartas escritas por crianças do Complexo da Maré que se diziam apavoradas com a violência policial na área. Muitas delas pediam que os helicópteros parem de dar tiros do alto.
Witzel reforçou o apoio ao uso dos veículos. "O desespero desses criminosos é porque, de helicóptero, chegamos rapidamente onde estão estocadas drogas e armas."
Ainda na seara de controvérsias no campo da segurança pública: eleito governador, o ex-juiz defendeu que a polícia mirasse "na cabecinha e... fogo!" contra criminosos que empunhassem fuzis, ainda que não apresentassem risco imediato de abrir fogo contra alguém. 
A oposição ao governo reagiu à ideia de controlar acessos a comunidades. A deputada estadual Renata Souza (PSOL) foi uma das vozes críticas: para ela, o programa força um "apartheid no Rio" ao "reduzir, ainda mais, a péssima mobilidade de quem vive nas favelas".
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