Na homilia feita durante a missa das Pastorais Sociais no campinho do Convento da Penha, na manhã desta segunda-feira (11), o padre Kelder Brandão falou sobre a paz - tema da
Festa da Penha deste ano - mas também criticou o que chamou de “ações violentas e desproporcionais dos agentes de segurança do Estado”.
“Precisamos ser instrumentos da paz de Deus para transformar o mundo, a começar pela nossa realidade local. Nós vivemos em um Estado extremamente violento. Nossas comunidades sofrem dia e noite com a violência. Sequer conseguimos dormir direito com tantos tiros ao longo das madrugadas”, afirmou o sacerdote, que é pároco da Paróquia Santa Teresa de Calcutá em Itararé, em Vitória.
“Embora seja noticiado que houve diminuição de homicídios no Estado, nossas comunidades estão muito longe de serem comunidades seguras”, acrescentou o sacerdote, que também exerce a função de coordenador do Vicariato para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória.
Kelder Brandão, que presidiu a missa que teve a presença de muitos militantes de movimentos sociais, também denunciou a violência supostamente praticada pelo Estado nas ações de combate ao tráfico.
“Em nome do combate ao tráfico de drogas e de armas, travam-se verdadeiras guerras nas periferias em que vivemos. O próprio Estado pratica violência. São mais de 25 mil encarcerados, em sua maioria absoluta jovens empobrecidos, negros e periféricos, sem mencionar o rastro de sangue e de corpos tombados diariamente nas periferias do Estado”, considerou o padre.
“Jovens e adolescentes negros, empobrecidos, moradores de periferia, tratados como inimigos do Estado, sob o nosso olhar complacente e os aplausos dos serviçais da morte”, enfatizou.
Na homilia, o padre criticou o que considerou como “impunidade” de agentes do Estado: “O país inteiro ouviu que um policial denunciado há quase uma década na corregedoria por envolvimento com traficantes atuava no principal órgão de repressão ao tráfico. Que vergonha para a Segurança Pública do Espírito Santo!”
Por fim, Kelder Brandão fez uma apelo à paz, principalmente no âmbito das instituições do Estado: “Precisamos ser instrumentos da paz para acabar com a violência nas periferias perpetrada pelas instituições e para acabar com a violência de gênero no Estado”.