Embora tenha registrado uma leve queda de 0,72% na diferença e deixado a última posição no ranking nacional, o Espírito Santo é o segundo Estado do país onde se registra a maior desigualdade salarial entre homens e mulheres, segundo dados do 3º Relatório de Transparência Salarial divulgado pelo
governo federal.
Em setembro de 2024 (data da última pesquisa), homens recebiam 29,25% a mais. Agora, a defasagem é de 28,53%. De acordo com o relatório, a média salarial de mulheres no Espírito Santo é de R$ 2.991,13, ante R$ 4.184,91 dos homens.
No ranking da desigualdade, o ES praticamente está empatado com o
Paraná, último colocado da lista, cuja defasagem salarial entre homens e mulheres chega a 28,54%.
O levantamento revela que as menores desigualdades salariais do país estão em Pernambuco (9,14%), Acre (9,86%), Distrito Federal (9,97%), Piauí (10,04%), Ceará (10,21%) e Alagoas (11,08%).
Na outra ponta do ranking, depois de Paraná e Espírito Santo, aparecem Santa Catarina (27,96%) e Rio de Janeiro (27,82%).
No Brasil, a disparidade salarial entre os dois sexos ainda é alta: 20,87%, com um aumento de 0,18% desde o último relatório. O fator racial também segue como um dos maiores desafios do país. Mulheres negras ganham, em média, R$ 2.864,39, enquanto mulheres não negras recebem R$ 4.661,06, ou seja, 38% a mais.
No Espírito Santo, o quadro discriminatório contra as mulheres negras também está presente: as trabalhadoras negras ganham, em média, R$ 2.582,64, enquanto mulheres não negras recebem R$ 3.849,39 - uma diferença de 32,9%.
Um dado positivo (pelo menos um) mostrado pelo 3º Relatório de Transparência Salarial é que houve um crescimento de 18,2% na participação das
mulheres negras no mercado de trabalho. O número passou de 3,2 milhões para 3,8 milhões de mulheres negras empregadas.
Em âmbito nacional, em cargos de chefia e alta qualificação, a desigualdade é ainda mais evidente: mulheres diretoras e gerentes recebem apenas 73,2% do que ganham os homens; em ocupações de nível superior, o percentual cai para 68,5%.