Depois do imperador, um cientista da
Ufes. Carlos Nobre, coordenador científico do Instituto de Estudos Climáticos da Universidade Federal do Espírito Santo (IEC-ES), foi eleito membro da Royal Society, prestigiada instituição britânica destinada à divulgação e promoção científica.
Nobre é o segundo brasileiro, junto com Dom Pedro II, a ser aceito como membro da instituição, que seleciona seus membros a partir das contribuições científicas nas mais diversas áreas do saber.
O currículo de Carlos Nobre é notável. O cientista, um dos principais pesquisadores que estudam a Floresta Amazônica, as mudanças climáticas e o aquecimento global, recebeu diversos prêmios por sua atuação.
É um dos autores do Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), além de pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de
São Paulo (IEA-USP), presidente do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas e diretor da Amazon Third Way Initiative/Projeto Amazônia 4.0, que busca aprimorar as cadeias produtivas da Amazônia de forma sustentável, com fábricas portáteis e altamente tecnológicas.
Em entrevista ao Jornal da USP, o professor diz que a escolha da Royal Society é fruto de sua trajetória de mais de 40 anos de estudo sobre o clima e a floresta: “E serve como um alerta aos riscos que a Amazônia vem correndo e aos riscos das mudanças climáticas para o Brasil”, destaca.
O pesquisador avalia que o reconhecimento reforça o papel da ciência para reconduzir o Brasil em direção à sustentabilidade. “Não que estejamos vencendo esta guerra; está muito difícil. Mas é o papel da ciência, de expor todos os riscos que corremos com o desaparecimento das florestas, dos biomas brasileiros, com o aumento dos extremos climáticos e das queimadas. Tudo isso temos alertado, por décadas”, lembra o pesquisador, que formulou a hipótese de “savanização” da
Amazônia, motivada pelo desmatamento.
Fundada em 1660, a Royal Society é uma das mais antigas sociedades científicas do mundo. Neste ano, reconheceu 61 pessoas, sendo 51 como bolsistas, dez como membros estrangeiros e um bolsista honorário.
“Carlos Nobre se une como membro estrangeiro, reconhecido por seu trabalho sobre as interações biosfera-atmosfera, os impactos climáticos do desmatamento da Amazônia e sua liderança em programas que moldaram a ciência brasileira”, indica a nota da instituição. Apesar de ser o segundo brasileiro na lista, Nobre é o primeiro cientista, pois o então imperador do Brasil integra a lista, desde 1871, como membro da realeza.