Depois de atingir a marca de 928 pessoas com o vírus ativo da
Covid no período mais crítico da doença, Barra de São Francisco começa a colher os resultados das medidas que adotou para conter a tragédia que se abateu sobre a cidade e que provocou 99 mortes pela doença nos últimos 50 dias. O município foi, junto com Piúma, o epicentro da propagação da variante inglesa do coronavírus.
Uma das medidas adotadas pela administração municipal foi
criar um prêmio para as pessoas que circulam com máscaras pelas ruas, como recomenda as normas sanitárias. Essas pessoas são abordadas por equipes da prefeitura, preenchem um cupom e concorrem a prêmios. O primeiro sorteio da campanha será realizado nesta sexta-feira (22). Serão sorteadas 100 cestas básicas e uma leitoa de nome “Malhadinha”.
Nos próximos 15 dias, a expectativa do secretário municipal de Saúde, Gustavo Lacerda, que também é o vice-prefeito, é que o número de pacientes ativos com a doença caia para menos de 100 pessoas. O número de casos ativos caiu para 455 nesta quinta-feira (22), menos do que os 478 do dia 29 de março, quando começou uma fase considerada trágica para o município.
O pico da doença ocorreu nos dez primeiros dias de abril, depois que março (43 óbitos) registrou um crescimento de mais de 600% nas mortes em relação a fevereiro (seis óbitos). Em apenas dez dias, houve um salto de mais de 100% no número de casos ativos. Foi o caos: os últimos 21 dias registraram um crescimento de quase 150% nos óbitos. Nesta semana, porém, as mortes passaram a cair e houve dia até mesmo em que não se verificou óbito.
“Estamos numa descida em relação aos casos ativos no município. Chegamos a uma contaminação assustadoramente alta, mas começamos a testar em massa, identificar todos os positivos, isolamos e monitoramos todos eles. Agora, entramos na curva de volta para os números antigos, sob controle”, comemorou Gustavo.
Até mesmo a procura por atendimento de pessoas com suspeita do vírus,
no centro de atendimento criado pela prefeitura, caiu. “Chegamos a atender 209 pessoas, mas o número caiu pela metade e, o que é melhor, com índice de positivo para o vírus abaixo de 10%. Além do trabalho do centro de atendimento, fizemos uma barreira sanitária com testagem em massa nos distritos. Em alguns lugares, os positivos não passaram de 5% dos casos suspeitos”, acrescentou o secretário de saúde.
Se os números ativos estão em queda vertiginosa, na mesma proporção que subiram, então, por que continua morrendo gente? O secretário explica: “Eram pessoas que estavam internadas há 15 ou 20 dias, daquela leva em que as pessoas somente procuravam socorro quando já estavam em estado grave. A maioria deles veio a óbito”.
A pressão sobre o hospital estadual Dr. Alceu Melgaço Filho também diminuiu. No final de março, o hospital foi transformado em referência de Covid e estava superlotado, com 10 pessoas intubadas na UTI e 13 intubadas no semi-intensivo da enfermaria, que não tinha mais nenhum leito desocupado dos 57 disponíveis. Nesta quinta-feira, havia 10 pacientes na UTI, dois no semi-intensivo e 11 na enfermaria.
Enquanto isso, foram feitos 10.390 testes, correspondentes a quase 25% da população, ao mesmo tempo em que a equipe de saúde municipal intensificou a vacinação. O município recebeu 10.755 imunizantes, sendo 8.097 destinados à primeira dose.