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Leonel Ximenes

Cartaz ao lado do Fórum mostra o medo da violência no Centro de Vitória

Região onde foi afixado o desabafo da cidadã é muito frequentada por magistrados, advogados e policiais

Públicado em 

22 fev 2021 às 13:52
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

O cartaz é assinado por uma pessoa que se identifica como mulher e estudante
O cartaz é assinado por uma pessoa que se identifica como mulher e estudante Crédito: Waldson Menezes
Um pequeno cartaz afixado na parede ao lado do Fórum de Vitória, na Cidade Alta, traduz à perfeição o sentimento de impotência e medo da violência da população diante da insegurança. “Sinto medo de andar aqui no centro sozinha”, diz o cartaz assinado por alguém que se identifica como mulher e estudante do Ensino Médio.
Além de estar ao lado de um órgão do Poder Judiciário, o cartaz foi afixado numa parede que fica em frente à Defensoria Pública Estadual, na Rua Pedro Palácios. Ou seja, trata-se de uma área de grande circulação de magistrados, advogados e policiais.
Os números parecem dar razão ao desabafo da cidadã amedrontada. Conforme a coluna publicou no ano passado, no primeiro semestre de 2020 o Centro de Vitória liderou o índice de assaltos em vias públicas. Foram 171 - mais de um caso por dia, fora as ocorrências que não foram registradas.
A região histórica da Capital também concentrou, nos seis primeiros meses do ano passado, o maior número de assaltos a ônibus em Vitória. Foram notificados 109 casos, um índice médio de uma ocorrência a cada dois dias.
Mas é bom esclarecer que esses números certamente são muito maiores porque nem todos os crimes são comunicados à Polícia.

O QUE OS ESPECIALISTAS DIZEM

Ex-secretário estadual da Segurança Pública, Henrique Herkenhoff aponta a decadência da região como causa dessa sensação de insegurança: “Enquanto não houver uma revitalização radical no Centro, continuaremos assistindo a uma enorme infraestrutura de excelente qualidade ser cada vez mais subutilizada, desvalorizada, em um ciclo vicioso”, analisa o também professor do mestrado em Segurança Pública da UVV.
Para ele, o Poder Público pode ser decisivo na reversão desse quadro. “É necessário mudar essa situação. Quanto mais os órgãos públicos saem de lá, mais o comércio decai, mais espaço existe para ser ocupado de maneira degradada, levando os funcionários públicos a pressionarem pela saída de seus respectivos órgãos, enquanto os comerciantes tomam essa decisão por conta própria. É preciso e possível reverter esse ciclo."
Para Gustavo Debortoli, especialista em Segurança Pública, o desabafo expresso no cartaz é uma reação esperada: “Infelizmente reflete um pouco do momento que vivemos hoje. De muito discurso, de embate ideológico, mas, infelizmente, de pouca ou nenhuma ação concreta. E por ação não me refiro a simplesmente lançar o policiamento a esmo, em qualquer lugar ou horário, mas efetivamente pensar a segurança”.
Segundo Debortoli, a informação é uma ferramenta importante no combate ao crime: “É certo que a polícia tem informações de onde o crime acontece. Mas ter informação não significa usar essa informação para controlar a criminalidade. Não gosto de atribuir responsabilidades ou culpas, mas para chegarmos a um ponto onde o cidadão anda com medo de andar pelas ruas onde vive, é sinal de que algo anda muito errado”, lamenta.

Atualização

22/02/2021 - 3:25
A Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) enviou à coluna, após a publicação desta matéria, informações sobre a insegurança no Centro de Vitória: "A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) informa que o Centro de Vitória é local de foco do policiamento ostensivo diário na capital e nos últimos meses houve reforço na atuação, em conjunto com a Guarda Municipal, no sentido de aumentar a sensação de segurança da população e reduzir os índices de criminalidade, principalmente patrimoniais. No ano de 2020 o local apresentou queda de 40% nos índices de roubo a pessoa em via pública, no comparativo com 2019, e em janeiro de 2021 esse número continua com tendência de redução, sendo 23% a menos que janeiro de 2020. Qualquer pessoa que aviste alguma situação suspeita, pode acionar o 190 e uma viatura será imediatamente deslocada. Em casos de informações de atos delituosos que não estão em flagrante, o Disque-Denúncia 181 é o melhor e mais seguro canal de apoio à sociedade".

Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Feedral do Espírito Santo.

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