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Leonel Ximenes

Capixaba é preso e deportado: “Mexicanos são maus, e passei fome nos EUA”

Apesar do drama que viveu com a mulher e o filho de 11 anos, morador de Barra de São Francisco diz que vai tentar de novo entrar nos Estados Unidos

Publicado em 18 de Março de 2022 às 15:38

Públicado em 

18 mar 2022 às 15:38
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Gilberto Brito Félix tem uma pequena propriedade rural em Barra de São Francisco
Gilberto Brito Félix tem uma pequena propriedade rural em Barra de São Francisco Crédito: Weber Andrade
A sensação de terror de ficar preso, durante nove dias, na perigosa fronteira dos Estados Unidos com o México, terminou de uma forma quase simbólica para o capixaba Gilberto Brito Félix, morador de Barra de São Francisco: ele comeu seis pastéis, logo depois de desembarcar com a mulher e o filho, que junto com ele foram deportados pelos EUA.
“Quando cheguei no Aeroporto de Belo Horizonte e saí dele, a primeira coisa que fiz foi comer pastéis. Comi uns seis”, calcula Gilberto, de 38 anos, em relato ao jornalista Weber Andrade, do site Tribuna Leste-Norte, de Barra de São Francisco.
Mais aliviado, o pequeno produtor rural agora tem tempo para sorrir e relembrar o sufoco que passou após tentar entrar nos Estados Unidos, onde planejava trabalhar para dar uma vida mais confortável à sua família.
Operador de motosserra e dono de um pequeno pedaço de terra na localidade de Córrego das Pedras, em Cachoeirinha do Itaúnas, Gilberto conta que ao chegar ao México, com a mulher e seu filho de 11 anos, teve que viajar de ônibus durante um dia inteiro, e com baldeações, rumo à fronteira com os EUA.
Eles conseguiram atravessar a fronteira, por um rio, perto da cidade de Tijuana, no México, mas a partir daí as coisas começaram a dar errado. Orientado por um coiote (criminosos que vendem a travessia ilegal por dezenas de milhares de dólares), o emigrante capixaba entregou-se às autoridades de imigração norte-americanas, no esquema conhecido como cai-cai, quando a pessoa é liberada para responder ao processo em liberdade condicional ou quando o imigrante fica detido à espera da deportação.
Gilberto Félix foi detido e levado para um centro de detenção de imigrantes a cerca de 10 quilômetros da fronteira com o México. O inferno da família de capixabas não começou aí, mas aumentou.
“Lá no México não passei fome, mas os mexicanos são maus”, constatou o francisquense. “Só que quando fui para a fronteira com os Estados Unidos, aí sim, passei fome. 
"A gente só comia burritos (comida típica do México), recheado com batata, e, às vezes, um pouco de carne. Recebíamos também uma embalagem de bebida de chocolate, maçã e suco de maçã, mas apenas uma vez durante o dia"
Gilberto Brito Félix - Capixaba preso ao tentar entrar ilegalmente nos EUA
Gilberto conta que a crise econômica do Brasil, as dificuldades de produzir no campo e a vontade de dar uma vida melhor para a mulher e o filho o levaram a querer deixar tudo e morar em outro país. Segundo ele, viver nos EUA traz essas possibilidades. "Apesar do salário lá ser em torno de 15 a 20 dólares (por hora), a gente também gasta em dólar, então tem que trabalhar muito e economizar para juntar dinheiro", alerta.
Mesmo tendo propriedade rural e profissão, e apesar de ter passado tanto sufoco ao tentar ingressar nos EUA, Gilberto continua firme na sua decisão de deixar o Brasil. E, surpreendentemente, avisa que vai “tentar de novo” a imigração ilegal para aquele país.
“Eu investi muito, só ao coiote paguei mais de R$ 120 mil, mas aqui não tenho como recuperar. Agora vou tentar de novo, vou pagar de novo e acho que desta vez vou conseguir ficar lá”, afirma o capixaba. Mas ele tem um conselho para quem tem dinheiro: “É melhor ficar no Brasil”.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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