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Cachorra de rua que foi adotada ganha diário e clipe musical. Veja aqui

A história de Buda, que vivia abandonada e maltratada na região do Caparó, comoveu os amigos do novo tutor do animal

Vitória
Publicado em 14/12/2020 às 13h56
Atualizado em 14/12/2020 às 14h44
Gobbi e a cadela Buda: amor à primeira vista
Gobbi e a cadela Buda: amor à primeira vista. Crédito: Dilvulgação

O que o caro leitor vai conhecer a partir de agora é uma história de amor. Uma bela e comovente história de amor entre um homem e uma cachorra que vivia abandonada nas ruas de Mundo Novo, uma pequena localidade do também minúsculo município de Dores do Rio Preto, na região do Caparaó.

Tudo começou em 20 de novembro, uma sexta-feira chuvosa e relativamente fria para esta época do ano, na bucólica região de montanhas do Espírito Santo, próximo à divisa com Minas Gerais. O especialista em oratória e comunicação José Luiz Gobbi, 65 anos, vinha no final da tarde da casa de amigos e passava pela estrada de Mundo Novo quando avistou um cachorro que aparentemente estava abandonado.

“Vi um cão magro, fraco, olhando perdido para uma casa de onde se podia ouvir latidos”, conta Gobbi, que se comoveu com aquela situação. “Buzinei e passei com o carro, mas não consegui segurar o choro de tristeza. A imagem do cão magérrimo e desesperançado me sobressaltou o sono, por diversas vezes”, recorda o também ator que imortalizou a personagem Marly na peça "Hello Creuzodete", sucesso por mais 20 anos no teatro capixaba.

No dia seguinte, no sábado pela manhã, ele tomou a decisão que poderia trazer-lhe novamente paz e tranquilidade, abaladas após ter visto, na véspera, o abandono do animal. “Peguei o carro, voltei pela estrada e, sob a batuta de Deus, lá estava ele caído, de fraqueza, na beira da estrada. Parei o carro, desci e, com cuidado, me aproximei. Percebi que era uma fêmea que, ao me ver pertinho, virou-se de costas com as patas pra cima como quem implora socorro. Peguei-a no colo e coloquei-a no carro.”

Daquele sábado em diante a vida de Gobbi se transformou. Ele levou a cachorra para sua casa, em Patrimônio da Penha, município de Divino de São Lourenço, a sete quilômetros de Mundo Novo, e passou a cuidar do animal que estava bastante debilitado e com menos de 18 kg, muito pouco para o porte dele.

Uma das primeiras providências do tutor foi dar um nome àquela criatura desprezada e maltratada. Buda foi o escolhido. Pra quem conhece Gobbi, uma pessoa de profunda espiritualidade, apesar de não seguir, formalmente, nenhuma religião, nada a estranhar.

Gobbi começou a compartilhar sua convivência com Buda pelo Facebook, o que permitiu que centenas de pessoas acompanhassem aquela linda história de amor e de encontro. Passeios, tratamento veterinário, rotina, está tudo lá. O caso despertou tanto interesse que o tutor resolveu organizar tudo e criar o Diário de Buda, para alegria dos seus seguidores.

Fotos, vídeos e textos compõem o diário, de forma muito organizada. É possível, por exemplo, constatar que Buda já começou a ganhar alguns quilinhos, em pouco mais de 20 dias depois de ser adotada. Por orientação de uma veterinária, ela está sendo tratada à base de vitaminas, antibióticos e probióticos. Um dos objetivos é curar uma dor de barriga constante que a cachorra tem, certamente uma herança maldita dos tempos que comia porcarias nas ruas de Mundo Novo.

Com muito cuidado, Gobbi já conseguiu também curar pequenas feridas no corpo do animal decorrentes de tiros de chumbinho. Sempre muito faminta, a cachorra come cerca de uma dúzia de bananas-pratas por dia. E até carne “nobre”.

Sim, aconteceu neste último fim de semana: Gobbi tirou um quilo de filé-mignon da geladeira para descongelar, deu as costas e, minutos depois, quando foi ver, Buda tinha devorado a carne toda.

A história de uma cachorra tão querida, por tanta gente, não se esgotou num diário nas redes sociais. Era preciso mais. E a homenagem a Buda e a Gobbi veio do aposentado Danilo Martins, de 70 anos. Músico e compositor de talento, ele fez um clipe musical para os dois com fotos e imagens compartilhadas por Gobbi.

Buda engordou três quilos em cerca de 20 dias
Buda engordou três quilos em cerca de 20 dias. Crédito: José Luiz Gobbi

“Com a postagem do Diário de Buda, eu também me envolvi com essa história de amor, e por isso resolvi fazer a música”, conta Danilo. “A ideia é que ele contasse a história dele e ela [Buda] contasse a dela, como se fosse um diálogo entre os dois.”

Danilo explica que inicialmente pensou apenas em fazer a música, mas quando enviou o áudio para Gobbi, resolveram criar um clipe com a ajuda de um dos filhos do compositor, que fez a montagem e a edição. “É uma bela história de desprendimento. Com o clipe pronto, espero que outras pessoas se sensibilizem [com a causa animal]”, diz Danilo.

Com tantos cuidados, alimentos e medicamentos, Buda já está com mais de 20 quilos e muito esperta, distanciando-se cada vez mais daquela cachorra esquelética que vivia nas ruas clamando por uma vida melhor. “É carinhosa, é companheira, fica o tempo todo junto de mim. Ela é especial. Foi um grande encontro”, emociona-se Gobbi.

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