O prelado católico, que está em missão em Lisboa (Portugal), demonstrou forte preocupação com o avanço de uma política imperialista e com possíveis desdobramentos para outros países da América Latina.
“Quando as pessoas acham que são donas do mundo, que podem tudo, acontece isso.
[Donald] Trump tem a mentalidade de que a América do Sul é o quintal dos Estados Unidos. Ele quer ressuscitar uma teoria antiga, mas nós rejeitamos absolutamente isso”, afirmou o bispo em declarações à Agência Ecclesia.
Segundo ele, que foi bispo também de Pemba, Moçambique, entre 2013 e 2021, a intervenção norte-americana ocorrida no sábado (3), que resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e da primeira-dama, Cilia Flores, foi recebida com “muita tristeza” e “muito espanto”.
De acordo com dom Luiz Lisboa, ainda que se possa questionar o regime político da Venezuela, nada justifica uma invasão militar. Para ele, os interesses dos Estados Unidos estão claramente ligados às riquezas naturais do país sul-americano. “O regime pode não ser o mais adequado, os líderes podem falhar o quanto for, mas nada justifica uma invasão. Os EUA querem o petróleo da Venezuela”, declarou.
O bispo cachoeirense reforçou o princípio da autodeterminação dos povos e condenou qualquer tentativa de imposição externa. “Cada povo é soberano e deve se autodeterminar. Não cabe a outro país invadir e querer comandar o outro”, destacou.
Ao comentar as declarações e ameaças do presidente norte-americano em relação a outros territórios, dom Luiz mostrou-se apreensivo quanto ao futuro.
“Alguns dizem que o [Donald] Trump é louco. Eu não concordo. Ele é mau, é malévolo. É uma política de dominação, uma política imperialista, de acharem que eles podem tudo. Já falou da
Groenlândia, já falou do Canal do Panamá. Ele está cumprindo aquilo que todo mundo achava que era uma grande asneira”, disse.