No documento, a associação comunitária destaca a importância da permanência da OAB no Centro da Capital como parte de sua trajetória institucional, bem como “elemento fundamental para a vitalidade urbana, a preservação da memória e o fortalecimento da vida pública na região".
A Associação de Moradores ressaltou também a necessidade de transparência quanto aos motivos da mudança e defende a ampliação do debate com a sociedade sobre os impactos dessa decisão da OAB-ES para a cidade.
“Não se trata de uma mudança trivial. Trata-se de uma decisão que toca diretamente a responsabilidade institucional com a preservação da memória, da história e do papel simbólico que a OAB-ES construiu ao longo de décadas no coração de Vitória”, afirma a associação, na carta assinada pelo seu presidente, Walace Bonicenha.
“Conforme a própria trajetória institucional registra, foi no Centro que a advocacia capixaba se estruturou, se fortaleceu e se afirmou como agente essencial à justiça e à democracia”, complementa.
Na carta, a Associação de Moradores do Centro de Vitória manifesta preocupação com o destino da região histórica da capital capixaba: “A eventual saída da OAB-ES do Centro de Vitória contribui para um processo já conhecido de esvaziamento institucional da região, fragilizando sua dinâmica urbana, econômica e social. O Centro Histórico não pode ser tratado como um espaço descartável, substituível por novas centralidades que ignoram o valor acumulado de sua história e de suas relações”.
Em discursos no plenário da Câmara de Vitória durante a sessão da última terça-feira (31), alguns vereadores também manifestaram insatisfação com a decisão da direção da OAB-ES de transferir sua sede do Centro Histórico para uma área nobre na Capital. Armandinho Fontoura (PL), Luiz Emanuel (Republicanos) e Dárcio Bracarense (PL) lideraram as críticas à seccional capixaba da Ordem.
O protocolo de intenção para a cessão da área onde será erguido a nova sede da entidade foi assinado pela presidente da OAB-ES, Erica Neves, e pelo governador Renato Casagrande (PSB), nesta segunda-feira (30), no Palácio Anchieta.
O terreno está localizado ao lado direito da subida da Terceira Ponte, no sentido Vila Velha, na mesma região onde ficam outros edifícios do Judiciário, como o do Tribunal de Justiça (TJES) e do Tribunal Regional do Trabalho.
O espaço tem aproximadamente 2,8 mil m² e estava vinculado à Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi) e à Secretaria da Fazenda (Sefaz). De acordo com a OAB-ES, a localização foi pensada para reforçar a proposta de “ampliar a acessibilidade, fortalecer a integração institucional e dar mais eficiência ao atendimento prestado à advocacia e à sociedade”.