Pelo menos 60% dos 600 produtores de café de
Jaguaré, no Norte do Estado, já utilizam máquinas na colheita de conilon. Um caminho sem volta, ainda mais tendo em vista que o município enfrenta dificuldade para arregimentar mão de obra para a colheita, escassez agravada nesta época de pandemia de Covid-19.
Para o presidente do Sindicato Patronal Rural de Jaguaré, Jarbas Nicoli Filho, o custo efetivo total da semimecanização é praticamente equivalente ao da colheita manual, mas o processo mecanizado traz muitas vantagens aos produtores e trabalhadores.
“A maior vantagem é a redução de mão de obra por hectare, além de o produtor conseguir remunerar melhor e reduzir o esforço físico do trabalhador na colheita”, enumera Jarbas. O período de colheita do conilon, entre maio e o final de junho, mobiliza em torno de 7 mil trabalhadores.
Outras vantagens apontadas pelo presidente do sindicato são a redução do desembolso de recursos na colheita, além do aumento na facilidade de realizar o serviço. Segundo calcula Jarbas Nicoli, o custo de desgaste e manutenção de ferramentas e equipamentos utilizados no processo da colheita, a longo prazo, é praticamente igual ao da colheita manual.
Para a colheita semimecanizada, são utilizadas diferentes marcas e modelos de máquinas recolhedoras de lona. O processo é simples: os trabalhadores esticam as lonas no meio das carreiras de café e, com uma pequena foice, cortam as ramas com grãos que após a colheita manual precisam ser retiradas para melhorar a produção do próximo ano. A máquina, por sua vez, recolhe a lona e separa os grãos das folhas e galhos.
Para o prefeito de Jaguaré, Marcos Guerra, a mecanização da lavoura não reduz a oferta de emprego, já que há escassez de mão de obra, o que obriga muitos produtores a trazer trabalhadores de outros Estados para a colheita de café. “A mecanização leva ainda à formação de mão de obra qualificada, já que as máquinas exigem pessoas com treinamento específico”, acrescenta.
Jaguaré deve produzir cerca de 600 mil sacas de café neste ano, abaixo de anos anteriores, quando chegou a atingir 850 mil/ano. O município é o maior produtor de café conilon do Brasil, destacando-se pela qualidade e pelo processo de mecanização da colheita.
O café conilon capixaba,
como a coluna mostrou na semana passada, conquistou o reconhecimento de de Indicação Geográfica (IG) do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Essa certificação oficial autoriza a utilização do nome geográfico para a variedade produzida em território capixaba, passando a ser identificado como Café Conilon do Espírito Santo, um produto único.