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Leonel Ximenes

As máquinas pedem passagem na colheita do café conilon no ES

Com a escassez de mão de obra, agravada pela pandemia de Covid-19, pelo menos 60% dos produtores de Jaguaré utilizam a mecanização

Públicado em 

23 mai 2021 às 02:05
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Colheita mecanizada em Jaguaré, o maior produtor de café conilon do país
Colheita mecanizada em Jaguaré, o maior produtor de café conilon do país Crédito: Jordano Sossai
Pelo menos 60% dos 600 produtores de café de Jaguaré, no Norte do Estado, já utilizam máquinas na colheita de conilon. Um caminho sem volta, ainda mais tendo em vista que o município enfrenta dificuldade para arregimentar mão de obra para a colheita, escassez agravada nesta época de pandemia de Covid-19.
Para o presidente do Sindicato Patronal Rural de Jaguaré, Jarbas Nicoli Filho, o custo efetivo total da semimecanização é praticamente equivalente ao da colheita manual, mas o processo mecanizado traz muitas vantagens aos produtores e trabalhadores.
“A maior vantagem é a redução de mão de obra por hectare, além de o produtor conseguir remunerar melhor e reduzir o esforço físico do trabalhador na colheita”, enumera Jarbas. O período de colheita do conilon, entre maio e o final de junho, mobiliza em torno de 7 mil trabalhadores.
Outras vantagens apontadas pelo presidente do sindicato são a redução do desembolso de recursos na colheita, além do aumento na facilidade de realizar o serviço. Segundo calcula Jarbas Nicoli, o custo de desgaste e manutenção de ferramentas e equipamentos utilizados no processo da colheita, a longo prazo, é praticamente igual ao da colheita manual.
Para a colheita semimecanizada, são utilizadas diferentes marcas e modelos de máquinas recolhedoras de lona. O processo é simples: os trabalhadores esticam as lonas no meio das carreiras de café e, com uma pequena foice, cortam as ramas com grãos que após a colheita manual precisam ser retiradas para melhorar a produção do próximo ano. A máquina, por sua vez, recolhe a lona e separa os grãos das folhas e galhos.
Para o prefeito de Jaguaré, Marcos Guerra, a mecanização da lavoura não reduz a oferta de emprego, já que há escassez de mão de obra, o que obriga muitos produtores a trazer trabalhadores de outros Estados para a colheita de café. “A mecanização leva ainda à formação de mão de obra qualificada, já que as máquinas exigem pessoas com treinamento específico”, acrescenta.
Jaguaré deve produzir cerca de 600 mil sacas de café neste ano, abaixo de anos anteriores, quando chegou a atingir 850 mil/ano. O município é o maior produtor de café conilon do Brasil, destacando-se pela qualidade e pelo processo de mecanização da colheita.
O café conilon capixaba, como a coluna mostrou na semana passada, conquistou o reconhecimento de de Indicação Geográfica (IG) do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Essa certificação oficial autoriza a utilização do nome geográfico para a variedade produzida em território capixaba, passando a ser identificado como Café Conilon do Espírito Santo, um produto único.

Apesar da pandemia, safra de conilon deve crescer 10% neste ano no ES

Apesar da produção menor em Jaguaré e da pandemia, a safra de conilon gerar mais de 10 milhões de sacas este ano, um aumento de 10,38 % em relação ao ano passado, período em que foram colhidas pouco mais de 9 milhões sacas , de acordo com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). O bom desempenho se deve à bienalidade da lavoura cafeeira, na qual a colheita é melhor em um ano e mais tímida no seguinte. Já em relação ao café arábica, a expectativa é de queda na produção, também por causa dessa característica. Em 2020, os produtores de café arábica comemoram a maior safra de todos os tempos, segundo técnicos da área. Foram 4.765 milhões de sacas colhidas, ao passo que neste ano a expectativa é de que a colheita chegue a quase 3.300 milhões de sacas, o que corresponde a uma queda de 30,91%, em relação ao período anterior.

Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Feedral do Espírito Santo.

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