O acesso ao Pico da Bandeira pelo lado do
Espírito Santo está precisando de reparos urgentes. Por causa da chuva e da falta de manutenção, a estrada que leva ao terceiro maior pico do país está impossibilitando carros convencionais de acessar o acampamento mais próximo para a subida da montanha.
Em resposta formal a um turista que recentemente esteve no local, a administração do Parque Nacional do Caparaó, onde fica o Pico da Bandeira, admite que a situação é precária, afirma que não tem recursos para resolver o problema e informa que já pediu ajuda às Prefeituras de
Dores do Rio Preto (ES) e Espera Feliz (MG), mas que não obteve resposta ainda.
"Estamos cientes do problema. Infelizmente temos limitação de recursos financeiros, materiais e humanos para resolver esse gargalo da gestão, considerando ainda que possuímos outros acessos/estradas para fazer a manutenção dentro do Parque Nacional do Caparaó”, respondeu a Ouvidoria do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão federal que administra os parques nacionais.
Na mensagem à Ouvidoria do ICMBio, o turista conta que esteve na cidade de Dores do Rio Preto, no Caparaó capixaba, entre os dias 10 e 11 de março para subir o Pico da Bandeira.
Ele denuncia que o trecho entre o camping Macieira e o camping Casa Queimada tem pontos com muitas pedras soltas, o que impossibilita carros convencionais de acessar o acampamento mais próximo para a subida do pico de 2.891 metros. “Uma terraplanagem na estrada já poderia solucionar o problema”, sugere o cidadão.
A seguir, ele descreve as dificuldades encontradas para acessar o caminho do Pico da Bandeira. “As pessoas que vieram comigo deixaram de subir ao topo em razão de termos tido que deixar o carro no camping Macieira. O carro não conseguiu subir além desse trecho em razão da estrada, o que aumenta em seis quilômetros a subida até o pico, acrescentando à difícil caminhada o tempo de mais duas horas e meia.
Diante da situação precária no lado capixaba do Caparaó, ele faz um alerta ao ICMBio: “Se tal situação não for sanada, o Espírito Santo corre o risco de perder turistas para a portaria de Alto Caparaó (em
Minas Gerais), visto a situação das estradas lá ser mais favorável”.
E a situação precária não se limita à estrada de acesso ao Pico da Bandeira, segundo o turista. “Outro ponto necessário é a manutenção dos banheiros e pias das áreas de camping da Macieira e Casa Queimada. Os locais estão sem energia elétrica, descargas vazando água; e as pias da área de churrasqueiras estão com as cubas soltas e com vazamento de água nas torneiras.”
A coluna entrou em contato com o prefeito Cleudenir José de Carvalho Neto, mais conhecido como Ninho, de Dores do Rio Preto, município do Caparaó onde fica localizada a portaria de acesso pelo lado capixaba ao Pico da Bandeira.
O gestor, que confirmou o pedido de ajuda da direção do Parque Nacional do Caparaó, disse que a prioridade neste momento é consertar as estradas vicinais do município por onde passam os veículos levando estudantes das redes estadual e municipal de ensino.
Portanto, a aguardada ajuda para reparar o acesso ao pico terá que esperar mais um pouco. “Por causa da chuva, estamos organizando nossas estradas onde passam nossos alunos. Não podemos deixar o transporte escolar com as estradas ruins. Entre maio e junho poderemos ajudar, mas antes disso não será possível”, afirma o prefeito.
Ainda durante os trabalhos de levantamento do governo de transição, em dezembro do ano passado, a deputada federal eleita Marina Silva, que depois viria a assumir o
Ministério do Meio Ambiente do governo Lula, afirmou que encontrou uma “terra arrasada” na área, com falta de orçamento, de equipes e de coordenação.
“O que identificamos na transição é terra arrasada. Porque o orçamento foi completamente subtraído, as equipes desmontadas, as instituições de monitoramento enfraquecido”, relatou.
A situação só não ficou ainda mais difícil porque o orçamento do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) para 2023 recebeu R$ 550 milhões a mais do que o proposto por
Jair Bolsonaro (PL) no Projeto de Lei Orçamentária encaminhado ao Congresso Nacional.
A expansão orçamentária, que representa um aumento de 18,6% em relação ao valor original da proposta, foi possível devido ao trabalho da equipe de transição do governo de
Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com isso, os recursos destinados ao MMA e suas autarquias devem chegar a R$ 3,5 bilhões, valor equivalente ao que era investido no órgão antes da chegada de Bolsonaro ao poder.