As exportações de café arábica pelo
Espírito Santo seguem caindo com o passar dos anos: o volume registrado em 2021 é o menor em 22 anos e, possivelmente, o Estado não tem uma exportação de café arábica tão baixa desde o ano de 1983, mesmo com o crescimento da produção de lá pra cá, segundo dados do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV).
Vários fatores contribuíram para o desempenho ruim das exportações do arábica pelo ES, entre eles, o fator logístico. Para o CCV, o aparato logístico do Espírito Santo não tem sido capaz de dar competitividade para escoar a produção de
café arábica local e de regiões produtoras vizinhas. Mas não é só isso.
“Para além da estrutura logística limitada, fatores específicos que contribuíram para a redução dos embarques em 2021 foram a valorização do preço do café conilon diante de seu concorrente, o robusta do Vietnã e a crise logística global que impactou em rolagens de cargas, a elevação do custo do frete internacional e a disponibilidade limitada de contêineres”, enumera Márcio Cândido Ferreira, presidente do Centro de Comércio do Café.
Aliás, 2021 não foi um ano especialmente profícuo para as exportações de café em geral pelo Espírito Santo. O total das exportações capixabas no ano passado, sob todas as formas, foi de 4,6 milhões de sacas, resultado 28% inferior ao verificado em 2020. A receita cambial de 2021 somou US$ 513 milhões (R$ 2,8 bilhões), ficando 6% abaixo da receita do ano anterior.
Em compensação, nem tudo azedou no café capixaba, em relação ao desempenho do comércio exterior Pelos dados do CCV, a exportação de café solúvel ultrapassou a marca de 414 mil sacas de 60 quilos em 2021, maior volume da história, superando em 8% o recorde anterior (382 mil sacas em 2020). A receita obtida com a exportação de solúvel em 2021 foi de US$ 46 milhões (R$ 251 milhões), ligeiramente superior à de 2020.
“Desde o ano de 2017, as exportações de café solúvel pelo Espírito Santo vêm crescendo ininterruptamente, a uma média de 7% ao ano, como resultado de um longo trabalho de planejamento e promoção comercial realizado pelas indústrias exportadoras, aliado ao crescimento do consumo mundial de café solúvel”, explica Ferreira.
“Se analisado o crescimento de 2018 a 2021, a média salta para 10% ao ano. Em cinco anos, o crescimento não foi maior por fatores ligados à crise econômica em 2014, pouca oferta de matéria-prima de 2016 a 2017 e, mais recentemente, à elevação expressiva dos preços dos insumos”, complementa o dirigente.
OS 10 MAIORES IMPORTADORES DE CAFÉ DO ES EM 2021