Broa, queijo e cafezinho: como o vizinho do ES tenta sair da crise
Leonel Ximenes
Broa, queijo e cafezinho: como o vizinho do ES tenta sair da crise
Governador Romeu Zema, de Minas Gerais, participou de um painel com Casagrande no segundo dia do Vitória Summit 2021, encontro de líderes da Rede Gazeta
Romeu Zema e Casagrande se cumprimentam em momento de descontração do Vitória Summit 2021Crédito: Vitor Jubini
A dívida é de R$ 30 bilhões. Isso mesmo, R$ 30 bilhões!, uma vez e meia o orçamento anual do Espírito Santo. Minas Gerais está tentando se equilibrar para sair da crise herdada pelo governador Romeu Zema (Novo), um dos convidados do segundo dia do Vitória Summit 2021, encontro de lideranças políticas e empresariais da Rede Gazeta que está sendo realizado no Hotel Ilha do Boi, em Vitória.
PROJETOS EM COMUM
Nesta quinta-feira (25), o ciclo de debates foi aberto pelo governador mineiro e o colega capixaba, Renato Casagrande (PSB), que participaram do painel “ES e MG: desafios e oportunidades para 2022”, mediado pelo comentarista da Rádio CBN Teco Medina.
PROMESSA É DÍVIDA. OU DÚVIDA?
Zema, naquele seu jeito mineirês de falar, de forma calma, pausada e escandindo as palavras, expôs o drama financeiro pelo qual passa o seu Estado. A terra dos inconfidentes, depois de seis anos, conseguiu colocar em dia, em agosto último, o pagamento do funcionalismo público estadual. “O 13º será pago em dia também”, promete.
EQUILÍBRIO PRECÁRIO
É um relato de terror. Sucessor de Fernando Pimentel (PT) e neófito na política, Romeu Zema contou que conseguiu finalmente equilibrar as combalidas finanças de Minas, mas à custa de decisões precárias da Justiça, que deferiu liminares suspendendo as dívidas do Estado.
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PERDIDO E MAL PAGO
“Se as liminares caírem, o Estado está perdido”, resumiu o hiper-realista governador, destacando que Minas conseguiu um prazo de 30 anos para quitar a dívida monstruosa acumulada nos últimos anos do que chamou de “gestão temerária”.
NO SUFOCO
O drama passou da esfera econômico-financeira e foi bater na natureza humana. É o próprio Zema que revela: “Teve prefeito que renunciou e teve prefeito que até se suicidou”
NOMES SUJOS
Pensa que acabou? O governador mineiro relata também que na gestão passada, do petista Fernando Pimentel, o governo descontou parcelas do empréstimo consignado dos servidores estaduais, mas simplesmente não repassou o recurso aos credores, os bancos. “O nome de 240 mil funcionários foi parar no SPC e no Serasa”, disse Zema.
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SOU DALI, PERTO DE DUBAI...
No palco do Vitória Summit ao lado de Casagrande, o gestor mineiro contou que, quando era empresário e tinha que viajar a São Paulo a negócios, sentia vergonha de dizer que era mineiro.
ANDANDO NO CAOS
A herança dessa crise está visível também na malha rodoviária, admitiu o governador do Estado vizinho. "As estradas de Minas Gerais são muito ruins. Quem viaja de Minas para o Espírito Santo percebe a diferença. As do ES são boas, as de Minas são ruins.”
MENOS, GOVERNADOR...
Em tempo: se Romeu Zema considera as estradas do Espírito Santo boas, a coisa deve ser realmente trágica nas rodovias do nosso vizinho, né?
TAREFA PARA HÉRCULES
Teco Medina foi o mediador do painel com os governadoresCrédito: Vitor Jubini
No final da sua exposição, Zema, que torce para o Galo, provável campeão brasileiro deste ano, assumiu uma tarefa hercúlea: “Depois de sanear Minas Gerais, vamos fazer o Cruzeiro voltar à primeira divisão”. Foi a deixa para Teco Medina levar a plateia às gargalhadas: “Acho que é mais fácil recuperar Minas Gerais, governador”.
DELÍCIAS MINEIRAS
Fã de broa de milho, queijo e cafezinho, Zema chegou cedo num avião do governo de Minas e foi direto para o Vitória Summit, onde Casagrande o aguardava. Logo depois de participar do painel, por volta das 10h30, seguiu viagem para a cidade de Sacramento, no Triângulo Mineiro, a 80 quilômetros de Uberaba.
NO CHÃO É MAIS SEGURO
Sob o comando de Zema estão 853 municípios, que são percorridos por ele de avião ou carro. Um assessor confidenciou que o chefe não gosta de helicóptero, por "chacoalhar muito”. Em média, o governador visita de cinco a seis municípios mineiros em dois dias da semana.
ELE É O CULPADO!
Casagrande, por sua vez, que comanda um Estado saneado financeiramente, brincou com o secretário de Planejamento, Álvaro Fajardo, que estava na plateia, atribuindo a ele uma estratégia para evitar as investidas dos gastadores. “Álvaro é o mais ‘amado’ da equipe. Quando alguém me pede recurso, digo que ele não deixa, que mandou cortar”, revelou o governador do ES.
NÃO É DE DEUS
Sobre o momento político, Casagrande diz lamentar que a intolerância e a agressividade estão contaminando o ambiente político e citou como exemplo as redes sociais e uma ferramenta muito popular: “Deus criou o WhatsApp,e o diabo criou os grupos de WhatsApp”, brincou. Alguém discorda?
Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Feedral do Espírito Santo.