O superintendente da
Polícia Federal no Espírito Santo, delegado Eugênio Ricas, não aderiu ao movimento nacional de delegados da Polícia Federal, que têm realizado paralisações parciais e entrega de cargos em protesto contra o governo federal. Procurado pela coluna, o superintendente alegou que os superintendentes da PF não entraram no movimento porque “exercem cargos de confiança do diretor-geral da instituição”.
Nesta quarta-feira (4), a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) subiu o tom contra o governo federal em defesa da reestruturação das carreiras e aprovou uma série de resoluções em assembleia geral extraordinária.
Entre elas, a adoção de paralisações parciais e progressivas e a permissão de entrega de cargos de chefia para que possam assumir novos postos. Os associados ainda pediram a renúncia do
ministro da Justiça, Anderson Torres, que é delegado de carreira da PF.
De acordo com nota da associação, as paralisações serão definidas em calendário a ser divulgado em conjunto com demais categorias da Polícia Federal. “Foram aprovadas, ainda, ações de mobilização e conscientização da população durante as atividades administrativas, como controle imigratório, de armas, de produtos químicos e segurança privada, realizadas pela PF”, acrescenta o comunicado.
A nota cobra pessoalmente o
presidente Jair Bolsonaro (PL) pela promessa feita à categoria de promover uma reestruturação das carreiras. O governo recuou e decidiu por um reajuste linear de 5% para todo o funcionalismo público.
“Decidiu não honrar com a própria palavra, gerando um clima de revolta e insatisfação generalizada nunca antes visto entre os servidores da PF”, afirmam os delegados. Para eles, Torres deveria entregar o cargo pelo “desprestígio e desrespeitoso tratamento dado pelo presidente da República à Polícia Federal e ao próprio ministro”.
Os delegados afirmam ainda que a suposta desvalorização da categoria enfraquece o combate à corrupção e ao crime organizado, promessas de campanha de Bolsonaro em 2018.
“É vergonhoso, sobretudo em um governo que se dizia pautar pela segurança pública, o atual estágio a que estão submetidos os policiais”, segue a nota. “É importante destacar que a segurança pública foi a maior bandeira de campanha do governo Bolsonaro e o destacado trabalho das forças de segurança vem sendo utilizado, indevidamente, pelo presidente como instrumento de marketing para a sua reeleição. Os policiais federais merecem respeito”, acrescenta.
Bolsonaro tem especial interesse em manter os policiais federais em sua base eleitoral para enfrentar o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas
urnas em outubro. Na semana passada, Lula afirmou que Bolsonaro não gostava de gente, só de policial, o que gerou polêmica no mundo político. O petista teve de se desculpar publicamente.